Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por GamesOver » 23/3/2026 13:01

É uma armadilha chamada dead cat bounce :mrgreen: :mrgreen: :mrgreen:

Não vendam nesta recuperaçao não. :twisted:

Os americanos dizem que fazem negociaçoes e treguas mas a meio voltam à carga. :(
Não são confiaveis.
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Apramg » 23/3/2026 13:00

No o fake taco?
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 23/3/2026 12:57

O MNE do Irão, a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa, o embaixador em Cabul e a comunicação social desmentem as conversações, e dizem que é mais uma derrota para Trump e EUA.

Trump a ser Trump, há 3 dias tinha matado toda a liderança iraniana e não tinha ninguém para negociar, agora está a negociar há 2 dias ....... que trapalhada tão grande.

O Irão atacou a base da ilha de Diego Garcia, com dois míssil balístico, tendo um caído e o outro sido abatido por um míssil SM-6.

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por BearManBull » 23/3/2026 12:47

BearManBull Escreveu:
Goya777 Escreveu:Ameaça destruir instalações energéticas do Irão dentro de 48h se não deixarem os cargueiros passar. Quero ver como vai recuar nesta ameaça... A minha única esperança é que dentro de 48h é terça-feira, que dia perfeito para um TACO Tuesday



Eu ponho as minhas fichas que o middle east vai ficar com boa parte da industria produtiva destruída.

Os USA eventualmente vão ter boots on the ground para controlar as zonas criticas de defesa na defesa da navegação.



Trump postpones strike threat: President Donald Trump says the US and Iran have held “productive conversations” and that he will hold off any military strikes against Iranian energy sites for five days, walking back his threat to strike if Tehran did not allow the full reopening of the Strait of Hormuz – a waterway crucial to the global economy – by Monday night.


Afinal foi TACO há segunda.

É possível que seja só um adiantar, mas a ameaça persiste. Os mercado quebraram algumas resistências importantes. Por agora estou convencido que estamos só no inicio de uma crise que vai durar.
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Goya777 » 23/3/2026 12:46

Goya777 Escreveu:Ameaça destruir instalações energéticas do Irão dentro de 48h se não deixarem os cargueiros passar. Quero ver como vai recuar nesta ameaça... A minha única esperança é que dentro de 48h é terça-feira, que dia perfeito para um TACO Tuesday


TACO monday. Mas quase que aposto qeu antes do final da semana volta a escalar tudo...
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 23/3/2026 12:42

A comunicação social iraniana, próxima da IRGC diz que não houve negociações com os EUA, e que Trump recuou por medo.

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Mr.Warrior » 23/3/2026 12:28

Parece que há uma trégua americana por 5 dias. Nunca se sabe e nunca fiando.
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 23/3/2026 12:27

O USS George HW Bush (classe Nimitz) CSG, vai partir para o Médio Oriente, provavelmente para o Mar Vermelho, onde operava o USS Gerald R. Ford, que está na base da Nato de Souda, em Creta, devido ao incêndio, e deverá rumar à base naval de Norfolk, para as repararações que foram adiadas.

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 23/3/2026 11:10

Sim, não há nenhum avião que seja invisível aos radares, até o F-22 Raptor, é detectado a um par de dezenas de kms, o pior é conseguir um radar para guiar um míssil até ele.

Até há 30 anos atrás, a esmagadora maioria de aviões era abatida com mísseis guiados por infravermelhos e laser.

Nesta guerra, e devido ao poder aéreo dos EUA e à sua capacidade de guerra electrónica, nomeadamente através dos EA-18G Growler, é mais fácil e barato atacar os aviões americanos/israelitas, com sistemas de defesa aéra "antigos" e MANPADS (Man-Portable Air-Defense Systems), pois tudo o que use radar, é rapidamente detectado.

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Opcard33 » 23/3/2026 10:48

Pedro eu nso passo de um curioso como tenho amigos e familiares que foram pilotos da FA , é mais para poder falar com eles que e leu do que li o F 35
Para ser atingido.

Só por sistemas passivos (não há radar ) detetar emissões do avião comunicação …

Ou

Radares de baixa frequência (VHF / UHF) eram assim radares russos antigos , detetam mas não conseguem guiar o míssil até ao avião


Depois haverá várias hipóteses saturação ou seja muitos mísseis …

Ou algo que nso se sabe especulação pura mas possivel , um sistema passivo com mísseis guiados por calor .
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por BearManBull » 23/3/2026 10:44

macau5m Escreveu:
BearManBull Escreveu:Os tempos mudaram para muito pior. É o que é. É aprender a lidar com isso, ser digno e honesto não é virtude.
Ser lixo é que sim.


Quanto à NATO acho que mudou para melhor, pelo menos não segue a voz do dono e achas que o "dono" é digno e honesto :wall: :wall:

Lixo é isso mesmo. aquele que se julga o "dono".


A NATO são essencialmente os USA. A Europa é um postalito para passar férias. A Turquia tem poder mas tenho duvidas que realmente fosse lutar a sério contra uma Rússia.

Os dinamarqueses andam para ali cantarolar que controlam a Gronelândia, mas depois gastam quase 0 na soberania da ilha.

Estrategicamente é a zona de maior vulnerabilidade que existe para os USA e os dinamarqueses nem fazem nem deixam fazer.
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por BearManBull » 23/3/2026 10:36

Goya777 Escreveu:Ameaça destruir instalações energéticas do Irão dentro de 48h se não deixarem os cargueiros passar. Quero ver como vai recuar nesta ameaça... A minha única esperança é que dentro de 48h é terça-feira, que dia perfeito para um TACO Tuesday



Eu ponho as minhas fichas que o middle east vai ficar com boa parte da industria produtiva destruída.

Os USA eventualmente vão ter boots on the ground para controlar as zonas criticas de defesa na defesa da navegação.
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 23/3/2026 10:13

F-15E Strike Eagle dos EUA, desviando-se de um míssil terra/ar, sobre a ilha de Ormuz.

https://x.com/skmtimesnews/status/2036006557373116522

https://x.com/AnaliseGeopol/status/2035706356418682959

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 23/3/2026 9:57

Opcard33 Escreveu:Ai algo ….que ainda não sabemos

O F‑35 tem sistema de alerta radar, de infravermelho, e muitos mais

Esse míssil terra ‑ar terá um alcance de 8 km 10 km

Talvez a confiança seja tanta que começam a voar a muito perto do solo .


Sou um curioso e esta é a tua área, mas penso que estes mísseis usam sensores electro-ópticos/infravermelhos, que não acionam os receptores RWR (Radar Warning Receiver) do avião.

Se fossem guiados por GPS, ao ligarem o radar, este é detectado pelo avião, o que não se verifica neste caso.

No entanto, o F-35 tem um sistema MAWS (Missile Approach Warning System), que basicamente é um conjunto de 6 câmeras ópticas.

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Opcard33 » 23/3/2026 8:48

PMP69 Escreveu:O F-35A dos EUA, foi atingido pelo sistema de defesa aérea, de fabrico iraniano, Majid (AD-08), que tem um alcance de 700 kms e uma altitude de 6 kms.

Como o míssil é guiado por infravermelhos, o sistema de lançamento não emite sinal de radar, o que permite que não seja detectado pelos aviões.

Pedro


Ai algo ….que ainda não sabemos

O F‑35 tem sistema de alerta radar, de infravermelho, e muitos mais

Esse míssil terra ‑ar terá um alcance de 8 km 10 km

Talvez a confiança seja tanta que começam a voar a muito perto do solo .
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 22/3/2026 13:50

O F-35A dos EUA, foi atingido pelo sistema de defesa aérea, de fabrico iraniano, Majid (AD-08), que tem um alcance de 700 kms e uma altitude de 6 kms.

Como o míssil é guiado por infravermelhos, o sistema de lançamento não emite sinal de radar, o que permite que não seja detectado pelos aviões.

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Goya777 » 22/3/2026 9:59

Ameaça destruir instalações energéticas do Irão dentro de 48h se não deixarem os cargueiros passar. Quero ver como vai recuar nesta ameaça... A minha única esperança é que dentro de 48h é terça-feira, que dia perfeito para um TACO Tuesday
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por macau5m » 21/3/2026 18:47

BearManBull Escreveu:Exacto, então porque dizes que não te importas de pagar mais?

Dinheiro no estado, dinheiro no lixo.


Não me importava de pagar mais, para ver o outro pendurado numa corda. Pagar mais dentro desse contexto, não pagar mais para esbanjar com quem não quer produzir.
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por macau5m » 21/3/2026 18:44

BearManBull Escreveu:Os tempos mudaram para muito pior. É o que é. É aprender a lidar com isso, ser digno e honesto não é virtude.
Ser lixo é que sim.


Quanto à NATO acho que mudou para melhor, pelo menos não segue a voz do dono e achas que o "dono" é digno e honesto :wall: :wall:

Lixo é isso mesmo. aquele que se julga o "dono".
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Opcard33 » 21/3/2026 17:00

rg7803 Escreveu:Bom post.
Por acaso tenho ideia contrária à de JNP sobre Afonso Albuquerque ser pouco "inclusivo". Pelo contrário tenho ideia que terá promovido ou tentado miscenizar os portugueses, homens/soldados na maioria, com a população local, em particular na peninsula do Indostão (costa).
Foi um mal-amado pela corte de Lisboa, apesar de ser famílias "bem nascidas". É supostamente dele a expressão "mal com el-rei por amor aos homens, mal com os homens por amor a el-rei".



No tempo em que se podiam homenagearem os heróis Miguel Torga homem da oposição escreveu um grande poema de homenagem … da relação difícil com o Rei a A . Albuquerque cantado por João Braga

Afonso de Albuquerque


Quando esta escrevo a Vossa Alteza
Estou com um soluço que é sinal de morte
Morro à vista de Goa, a fortaleza
Que deixo à Índia a defender-lhe a sorte

Morro de mal com todos que servi
Porque eu servi o rei e o povo todo
Morro quase sem mancha, que não vi
Alma sem mancha à tona deste lodo

De Oeste a Leste a Índia fica vossa
De Oeste a Leste o vento da traição
Sopra com força para que não possa
O rei de Portugal tê-la na mão

Em Deus e em mim o império tem raízes
Que nem um furacão pode arrancar
Em Deus e em mim, que temos cicatrizes
Da mesma lança que nos fez lutar

Em mais ninguém, Senhor, em mais ninguém
O meu sonho cresceu e avassalou
A semente daninha que de além
A tua mão, Senhor, lhe semeou

Por isso a Índia há-de acabar em fumo
Nesses doirados paços de Lisboa
Por isso a pátria há-de perder o rumo
Das muralhas de Goa

Por isso o Nilo há-de correr no Egito
E Meca há-de guardar o muçulmano
Corpo dum moiro que gerou meu grito
De cristão lusitano

Por isso melhor é que chegue a hora
E outra vida comece neste fim
Do que fiz e não fiz não cuido agora
A Índia inteira falará por mim

https://youtu.be/tbXPJ4P1Fok?is=Wv1BjUXy6xzGQH9V
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por rg7803 » 21/3/2026 16:15

Bom post.
Por acaso tenho ideia contrária à de JNP sobre Afonso Albuquerque ser pouco "inclusivo". Pelo contrário tenho ideia que terá promovido ou tentado miscenizar os portugueses, homens/soldados na maioria, com a população local, em particular na peninsula do Indostão (costa).
Foi um mal-amado pela corte de Lisboa, apesar de ser famílias "bem nascidas". É supostamente dele a expressão "mal com el-rei por amor aos homens, mal com os homens por amor a el-rei".
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Opcard33 » 21/3/2026 12:13

Um artigo com humor e conhecimentos históricos de Jaime Nogueira Pinto , podemos não concordar mas tem qualidade de escrita coisa hoje rara .
Mas vendo no nosso tamanho a época e o que conseguimos é enorme é grandioso , só no Ocidente os seus heróis são considerados criminosos .

JNP fala mas falta o poema de Camões quando Albuquerque executa um soldado por violação , quem quiser atacar Camões tem aqui tudo .

« Viu executar-se a rigorosa pena
Num triste caso, indigno de memória,
Que mais fora de amor que de condena,
Se se medira bem com justa glória;
Mas a lei dura, a condição pequena,
Fez que passasse além da justa história;
E eu, que canto os feitos tão subidos,
Também choro os erros cometidos.
Camões

Jaime Nogueira Pinto :
« Os portugueses de hoje, criados nas alegrias da democracia e do progresso que lhes trouxe Abril, são capazes de ter alguma dificuldade em conceber esse outro país que Portugal já foi. Mais, confrontados com a liberalidade e a democraticidade dos políticos, pode até parecer-lhes impensável, quando não impossível, a resistência a Castela no século XIV e a conquista do império do Oriente no século XVI, protagonizadas por homens tão iliberais e tão pouco inclusivos como Nun’Álvares ou Afonso de Albuquerque.

Por isso, nestes dias em que, a propósito da nova guerra do Irão, tanto se fala de Ormuz e do estreito de Ormuz, talvez valha a pena lembrar esses obscuros princípios do século XVI em que um Portugal oprimido pelo autoritarismo monárquico e católico, talvez para desviar as atenções de problemas internos (ou para os resolver), se iniciava na opressão além-fronteiras a que alguns saudosistas ousam chamar epopeia de navegação e conquista.

As chaves dos mares

D. Manuel I, o venturoso e feliz herdeiro do Príncipe Perfeito, coordenou uma política de expansão no Índico que tinha como linha de rumo a conquista das chaves daquele Oceano, por onde passava o precioso e estratégico tráfico das especiarias. E essas chaves eram Ormuz, Ádem, Goa e Malaca.

Em Abril de 1506, saiu de Lisboa para a Índia uma armada de dezasseis navios, onze sob o comando de Tristão da Cunha (que capitaneava toda a expedição) e cinco sob o comando de Afonso de Albuquerque. Albuquerque já passava dos cinquenta anos. Nascera em 1453, fora próximo de D. João II e combatera no Norte de África. Ao que parece, D. Manuel não o estimava muito e Albuquerque e Tristão da Cunha não primavam pelo entendimento. Mas a longa viagem foi correndo: passaram o Cabo da Boa Esperança e seguiram com combates, ataques e saques de cidades da costa oriental africana; depois, já no Índico, a sul da península arábica, tomaram a ilha de Socotra ou Socotorá.



A partir daí, Tristão da Cunha rumou para a Índia e Albuquerque, com seis navios e quatrocentos e cinquenta homens, decidiu conquistar Ormuz. A cidade de Ormuz dominava as ilhas do Golfo Pérsico e a costa de Omã. Albuquerque deixou Socotra a 10 de Agosto e, levando a bordo pilotos árabes, conhecedores dos mares e terras da região, foi tomando posições – Calayate, Curiate, Mascate – e avançou para Ormuz. Pelo meio, teve conselhos de guerra difíceis com os seus capitães, que exprimiam dúvidas e receios perante a sua audácia e preferiam esperar e pilhar os barcos dos peregrinos de Meca. A cena repetiu-se em Ormuz, quando Albuquerque exigiu ao regente, Khodja-Atar, que prestasse vassalagem ao rei de Portugal.

Começaram as negociações, mas o capitão português, entendendo que os de Ormuz esperavam reforços da costa e procuravam ganhar tempo, ordenou aos comandantes da frota portuguesa que abrissem fogo sobre os navios inimigos parados no porto. Ao mesmo tempo, ordenou o desembarque, enquanto, das naus portuguesas, a artilharia flagelava a cidade e os barcos adversários. Khodja-Atar não tardou em pedir uma trégua para negociar.

Nas negociações, pelo lado dos locais, falou o primeiro-ministro Seif-ed-Din, que aceitou, a troco da paz, pagar ao rei de Portugal, anualmente, “quinze mil xerafins de ouro”. Além disso, devia desembolsar imediatamente uma quantia de cinco mil xerafins para as despesas da esquadra portuguesa e, mais importante, permitir que os portugueses edificassem na ilha uma fortaleza. Prontamente, contra as objecções dos seus capitães e dos chefes muçulmanos, Albuquerque iniciou a construção da fortaleza de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz, que levaria trinta anos a ser concluída (ficaríamos em Ormuz até a perdemos para os ingleses, em 1622).

Albuquerque abandonou então Ormuz, onde só voltaria em 1515, no seu último ano de vida. Seria, entretanto, nomeado governador da Índia por D. Manuel I em 1509; em 1510 conquistaria Goa e, em 1511, Malaca.

Com estas três praças, assegurara posições terrestres a partir das quais os portugueses dominariam o comércio do Índico até ao fim do século XVI.

Para fechar o controlo português, apenas lhe faltava Adem, uma cidade-Estado à entrada do Mar Vermelho, que, uma vez conquistada, acabaria com o comércio dos mamelucos com Veneza.

A frota portuguesa partiu de Goa em 18 de Fevereiro de 1513. Eram vinte navios, com 1700 marinheiros e soldados portugueses e 800 aliados malabares. Fizeram uma paragem em Socotra e, a 26 de Março, Domingo de Páscoa, atacaram Adem. Mas na escalada das muralhas, as escadas partiram-se sob o peso dos atacantes e o ataque foi repelido; um segundo ataque também falhou, e assim se gorou o ambicioso plano do “Leão dos Mares” de fechar, para a Coroa portuguesa, as portas e chaves do Índico.

Rezam as crónicas que as escadas cederam à precipitação dos oficiais e soldados portugueses, todos querendo ser os primeiros no perigo e na glória.

Ocupando Goa e Diu, os portugueses dominavam parte importante da Índia; com Malaca, vigiavam a passagem do Índico para o Pacífico; controlando Ormuz, dominavam a circulação no Golfo Pérsico; com Adem, ficariam também senhores da entrada e circulação do Mar Vermelho e do caminho de Meca.

A narrativa destes sucessos ficou nas Décadas da Ásia, de João de Barros, e nos Comentários, de Braz de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque.

Camões, o profeta

Além do comércio da pimenta e do controle dos recursos, D. Manuel e Albuquerque pensavam em termos de nova cruzada, de “mudança de regime”, dir-se-ia hoje. Roger Crowley voltou a lembrar-nos isso, recordando a importância das referências ao rei cristão perdido no Nordeste de África, o Preste João.

Camões, na estrofe 40 do Canto X de Os Lusíadas, celebra os feitos do governador, pela voz da ninfa Thétis:

«Esta luz é do fogo e das luzentes
Armas com que Albuquerque irá amansando
De Ormuz os Párseos, por seu mal valentes
Que refusam o jugo honroso e brando
Ali verão as setas estridentes
Reciprocar-se, a ponta no ar virando
Contra quem as tirou; que Deus peleja
Por quem estende a fé da Madre Igreja.»

Nas estrofes seguintes, continuam os louvores a Albuquerque, mas, a partir da estrofe 45, Camões censura o grande capitão pela severidade com que pune com a morte um dos seus subordinados por um delito sexual menor. E segue com a narrativa de outros governadores e capitães da Índia.

A ninfa leva então o Gama ao cume de um monte na Ilha dos Amores e mostra-lhe a “máquina do mundo”, a terra com os seus reinos, os seus mares, os seus povos, correndo e percorrendo todos os continentes. No final, o poeta dirige-se a D. Sebastião, incitando-o a seguir o exemplo dos heróis portugueses, praticando grandes feitos:

«De sorte em que Alexandre em vós se veja
Sem à dita de Aquiles ter inveja!»

Alexandre conquistou o mundo, mas morreu novo, aos 33 anos. Aquiles também fez grandes coisas, mas teve azar com a flecha de Páris, o filho de Príamo, causador da desgraça de Troia, pelo rapto da bela Helena.

O poeta aqui foi também profeta: D. Sebastião ia perder-se no nevoeiro aos 24 anos.

…E Portugal, teria de esperar que raiasse Abril para ver raiar a Democracia e poder, enfim, realizar grandes feitos.
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 21/3/2026 10:56

O dinheiro do Irão vem do petróleo, gás, fertilizantes .... e isso pode ser estrangulado, incluindo Hezbolah, Hamas, grupos iraquianos, sirios ..

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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por Opcard33 » 21/3/2026 9:13

O Irão cerca de 40% das receitas do Estado a partir do petróleo, embora o peso possa variar de ano , tem orçamento pequeno em proporção do PIB.

O dinheiro para Guarda Revolucionária nao vem do orçamente um verdadeiro conglomerado económico, com presença em setores petróleo e gás , telecomunicações , construção e infraestruturas

O seu principal braço empresarial, a Khatam al-Anbiya Construction Headquarters, é responsável por grandes obras públicas e beneficia fcontratos estatais sem concurso.

Esta combinação de poder militar e económico faz com que a Guarda Revolucionária seja, em larga medida, autossustentada

Consequentemente, tem um forte incentivo para o defender e preservar Este regime

Só secado o dinheiro deste grupo criminoso seria possível derrubar , por isso a bomba atômica tem lógica pois garante-lhe um renda para a eternidade.
 
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Re: Irão–EUA: fim do regime dos Aiatolas?

por PMP69 » 21/3/2026 8:06

O USS Boxer (ARG) com 2.500 fuzileiros da 11ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais (MEU), vai a caminho do Médio Oriente, para se juntar ao USS Tripoli (ARG) que embarca a 31ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais, e deve chegar brevemente, vindo do Índico.

Esta força não é para invadir o Irão, pois no mínimo precisavam de 1 milhão de homens, para não falar nas fronteiras do Irão (Iraque, Turquia, Arménia, Azerbaijão, Afeganistão, Paquistão e Turquemenistão).

Vão apoiar os operadores do DEVGRU, na procura do Urânio e tomar algunas ilhas no Golfo Pérsico, como a ilha de Kharg.

No entanto, o Irão tem uma rota desimpedida com a Rússia (Mar Cáspio).

Só estrangulando financeiramente o Irão, poderão conseguir uma mudança.

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