Caldeirão da Bolsa

Mota Engil - Tópico Geral

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Kiko_463 » 2/2/2026 13:30

Parece que o estado chinês através da CCC está a beneficiar a Mota, e a Comissão europeia não está a gostar, mandou investigar e parar as obras do metro de Odivelas.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por @nmv! » 1/2/2026 23:52

se o CEO da mota não cumprir com a guide line de 180 milhões para 2026 de resultado líquido, os curtos irão ganhar a batalha.
https://caldeiraodebolsa.jornaldenegoci ... 6#p1939986
https://www.jornaldenegocios.pt/empresa ... -faturacao
no imediato a mota leva mais de 3,7% de shortes, com as últimas entradas em reforço de posições.
caso o CEO consiga manter as metas para 2026, a malta short quando tiver que fechar posições, vai ser mágico :mrgreen:
Anexos
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por bruno8526 » 1/2/2026 23:44

:clap:
Rolling_Trader Escreveu:Caros,

Vou dissertar, num loooooongo post, o processo judicial de difamação que a Muddy Waters moveu, no estado do Texas, contra o CEO da Mota-Engil por difamação, cujo processo pode ser consultado aqui.

Em causa estão as declarações proferidas pelo CEO numa entrevista ao expresso, que foi também alvo de notícia no jornal de negócios, onde alegou ter existido "manipulação do mercado" e "concertação, da Muddy Waters, com outros fundos para destruição do valor da ação da Mota-Engil".

Sendo um processo por difamação, a Muddy não precisava de justificar o short que fez sobre a Mota, mas mesmo assim decidiu fazê-lo (provavelmente para dar mais força à acusação) afirmando que o seu short é sustentado em research e fundamentação financeira.

Vou começar já pelo fim e apresentar as minhas conclusões antes de detalhar a parte financeira (parte essa mais aborrecida para quem não domina os temas).

Conclusão: A argumentação financeira da Muddy Waters faz jus ao nome do fundo, navega em águas lamacentas, dizendo meias verdades para construir a narrativa que mais lhe convém, tirando conclusões financeiras com base em análises superficiais, pouco credíveis e consistentemente tendenciosas, que não espelham a atual situação financeira da empresa.

Este processo veio a dissipar dúvidas do porquê da Muddy nunca ter liberado nenhum relatório no seu site oficial a justificar o short contra a Mota.
A justificação é simples: A argumentação da Muddy é fraca e seria facilmente desmontável, acabando por criar mais dano reputacional ao fundo de investimento do que à própria Mota-Engil .

Portanto acho que este processo é uma maneira ardilosa da Muddy tornar público os seus fracos argumentos sem necessitar fazer grandes fundamentações ou apresentar um relatório financeiro detalhado (o processo de difamação não obriga a isso).

Parece, a meu ver, uma tentativa desesperada de provocar mossa na cotação da ação enquanto a Mota-Engil e o CEO preparam a defesa e a apresentam em tribunal. Até lá estarão "obrigados" a segredo de justiça e não se podem pronunciar publicamente sobre estas alegações.

Uma triste e inqualificável jogada por parte da Muddy Waters, mas na era de Trump este é infelizmente o modo de atuação dos americanos hoje em dia. Enfim!

Segue abaixo a minha análise à matéria factual financeira elencada pela Muddy Waters no processo judicial, irei citar o original em inglês (para que não se perca nada na tradução) e refutar em português, ponto a ponto, os factos apresentados de forma a corroborar as conclusões que apresentei acima.

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

55. First, Muddy Waters determined that Mota-Engil’s cash generation is structurally weak, despite Mota-Engil reporting a massive increase in its operating cash flow in 2022.

56. Muddy Waters’ research team reconstructed Mota-Engil’s cash flows and discovered that Mota-Engil’s reported cash generation in 2022 was flattered by a massive increase in contract liabilities and trade payables, which contributed over €900 million to its operating cash flow. Muddy Waters concluded that other than that anomalous year, Mota-Engil’s cash generation has been poor, and the company’s dividends have been funded with debt.

Aqui a Muddy alega que a geração de caixa da Mota-Engil é "cronicamente fraca" e que o Cash Flow Operacional de 2022 foi artificialmente inflacionado por €900M em passivos operacionais, sendo os dividendos totalmente financiados por dívida.

Se consultarmos os dados financeiros anuais agregados do cash flow operacional, disponíveis no investing.com, referentes aos últimos 5 anos:

Mota_Cash_Flow_Statement.jpg

Os dados demonstram uma trajetória consistente de crescimento do Cash Flow Operacional (CFO) e não "fraqueza crónica".
Mesmo excluindo 2022, o CFO cresceu 83% entre 2020 e 2024 (de €221M para €404M).

Uma empresa que quase duplica a geração de caixa operacional em 4 anos não pode ser classificada como tendo geração "cronicamente fraca".

Já o "Pico" de 2022 reflete expansão já que o aumento de passivos operacionais em 2022 foi consequência direta de crescimento explosivo de receitas, conforme se constata na comparação anual do balanço patrimonial disponível no investing.com

Mota_Statements_Highlight.jpg

Mota_Balance_Sheet.jpg

Note-se que as receitas subiram 47% de 2021 para 2022) e 46% de 2022 para 2023 e o total de ativos cresceu de €5,4B (2021) para €7,7B (2023)

Isto justifica o "pico" de 2022 pois, em projetos de construção e engenharia, o aumento do passivo corrente é normal e saudável quando proporcional ao aumento do volume de negócios.

Já a alegação que os dividendos são "sistematicamente financiados por dívida" é factualmente incorreta.

Em 3 dos últimos 5 anos, os dividendos foram totalmente cobertos pelo free cash flow.

Mota_Dividend_Coverage.jpg

É verdade que em 2021 e 2023 o Levered FCF foi negativo, o que tecnicamente significa que os dividendos desses anos não foram cobertos, mas:

    1. Em 2021, a empresa reduziu a dívida líquida em €67M, pelo que os dividendos (€14M) foram pagos através de refinanciamento e reservas de caixa e não por aumento de endividamento.

    2. Em 2023, o FCF negativo deveu-se a CAPEX recorde de €455M (investimento em crescimento). O aumento de dívida (€421M) foi direcionado ao CAPEX e não ao pagamento de dividendos de €60M.
O que Muddy não diz (porque não lhe interessa) é que no ciclo de 2020 a 2024, o Equity da Mota cresceu €702M, ou seja 481%, o que demonstra que a política de dividendos (de €167M totais nesse período) foi conservadora face ao valor patrimonial criado.

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

57. Second, Muddy Waters determined that, since 2018, approximately 60% of Mota- Engil's net income accrued to non-controlling interests ("NCIs"), and over half of dividends were paid to local partners in Mota-Engil's markets around the world, not to Mota-Engil shareholders. As a result, earnings before interest, taxes, depreciation, and amortization ("EBITDA") were shared with the NCIs, while debt was concentrated at the parent—Mota- Engil—and in its wholly-owned subsidiaries.

Aqui a Muddy Waters alega que "aproximadamente 60% do lucro líquido desde 2018 vai para interesses minoritários" e que isto representa uma captura desproporcional de valor entre o que vai para os parceiros locais e o que sobra para o acionista.

Este é, de longe, o argumento mais aberrante da Muddy Waters pois revela total desconhecimento da história da Mota Engil, dos seus parceiros de negócio e da forma de operar do setor quando há operações internacionais em África e na América Latina onde é comum operar via joint ventures e concessões com parceiros locais.

Isso dilui o resultado atribuível à casa-mãe (os tais NCI) é certo, mas também dilui o risco e principalmente "facilita" as adjudicações, bem como a atribuição de licenças e a execução local das obras.

Portanto a estrutura de NCIs da Mota-Engil não é uma anomalia contabilística, é uma opção estratégica, amplamente divulgada em entrevistas e conference calls pela direção e reportada, nos relatórios de contas da Mota, às claras e de acordo com as regras financeiras internacionais.

O mais importante é que, nas demonstrações de resultados da Mota-Engil, são precisamente os países que têm mais NCIs (Angola, México e Nigéria), aqueles que têm mais rendibilidade e isso justifica a opção estratégica.

A verdade que a Muddy não revela é que, apesar dos NCI, o resultado do Grupo (isto é, o resultado atribuível ao acionista) tem vindo a crescer consistentemente:

    :arrow: 2021: Resultado líquido de €61M, para os NCIs foram €39M (~64%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 22M€
    :arrow: 2022: Resultado líquido de €77M, para os NCIs foram €37M (~48%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 41M€ (+95% YoY)
    :arrow: 2023: Resultado líquido de €266M, para os NCIs foram €153M (~58%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 113M€ (+175% YoY)
    :arrow: 2024: Resultado líquido de €273M, para os NCIs foram €151M (~55%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 123M€ (+8% YoY)
Acrescente-se ainda o facto da Muddy estar a ignorar mudanças recentes à estrutura dos NCIs como a redução dos interesses minoritários:
    :arrow: Em Angola de 49% (em 2021) para 33% (a partir de 2022)
    :arrow: E a mais recente aquisição da totalidade da "Empresa Construtora do Brasil", passando de interesses minoritários de 50%, no Brasil, para ZERO.
Em suma, o ponto 57 descreve um facto, mas tira uma conclusão enviesada.

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

58. Third, Muddy Waters found that Mota-Engil's accounts indicate that the company owes more (and more expensive) debt than it had publicly reported.

59. In its 2023 accounts, Mota-Engil disclosed an “average cost of gross debt plus” to communicate its cost of debt to shareholders. According to Mota-Engil, its “average cost of gross debt plus” reached 7.6% on December 31, 2023.

60. Muddy Waters determined that Mota-Engil's "average cost of gross debt plus" figure understates the company's true cost of capital and is not a useful indicator.

61. For example, after Muddy Waters compared Mota-Engil's reported liabilities with its profits and losses and cash interest expenses, it determined that Mota-Engil's 2024 effective debt rate was 10.5-14.1%—which was significantly greater than Mota-Engil's reported averages and suggested either larger intra-period debt, higher pricing, or undisclosed or incorrect balance sheet liabilities.

62. Similarly, when Muddy Waters calculated a weighted interest rate from Mota- Engil's disclosure, it arrived at a higher weighted average cost of debt and was still left with an unexplained approximately €50 million shortfall in implied interest versus what Mota-Engil reported. This analysis led Muddy Waters to conclude that Mota-Engil had unreported debt and/or an inaccurate or misleading balance sheet at year end.

Nestes pontos a Muddy Waters alega que a taxa média de juro reportada pela ME no relatório de 2023, de 7,6% é falsa e que a taxa "real" seria entre 10,5%-14,1% e que portanto existe um "gap" de ~50M€ em juros não explicados o que sugere dívida oculta ou passivos de balanço não reportados.

Esta questão foi extensamente debatida aqui no Caldeirão quando a Muddy divulgou o seu short em novembro de 2024, em que na altura, tendo só o relatório de contas do primeiro semestre de 2024, também ninguém conseguia chegar àquela taxa de juro reportada.
Na altura o forista afcapitao teve a excelente iniciativa de questionar a Mota-Engil, cuja resposta foi publicada pelo próprio afcapitao neste post.

Na prática os foristas, estavam a calcular uma taxa de juro de 11%, fazendo uma divisão simplista de Juros Pagos / Dívida Bruta, já a Mota-Engil calculou a taxa de juro média considerando apenas os juros efetivamente pagos sobre dívida bancária, excluindo custos financeiros contabilísticos (IFRS-15, descontos de provisões), retenções fiscais não recuperáveis e juros de ativos descontinuados, aplicados sobre o stock médio trimestral de dívida dos últimos 5 trimestres.

Em suma, que um forista leigo faça uma divisão básica é uma coisa, já um fundo financeiro fazer o mesmo e depois alegue que essa discrepância sugere dívida oculta ou passivos de balanço não reportados é simplesmente absurdo.

Se a Mota quisesse ocultar alguma coisa retirava-a do balanço e apresentava a taxa de juro resultante da divisão simplista, sem ninguém desconfiar.

Porém as os relatórios de contas são auditados e não é fácil, nem ético, nem legal esconder o que quer que seja.

Portanto a Mota-Engil não cometeu nenhuma ilegalidade. Segundo a norma IFRS 7, a Mota-Engil é apenas obrigada a reportar a Dívida Total, os Juros Totais Pagos, as Maturidades e a Exposição ao Risco de Taxa de Juro.

Nenhuma empresa é obrigada a calcular ou a divulgar a taxa média ponderada do juro da dívida, nem existem normas rígidas para o seu cálculo, pelo que esta é uma falsa questão e já foi explicada pela empresa.

Porque é que a Muddy não colocou a questão à Mota-Engil em vez de fazer contas de merceeiro e assumir que havia falcatrua?
Será isto a tal "boa fé" que a Muddy Waters alega, na acusação do Texas, ter tido aquando da abertura do short?

Se isto é boa fé... vou ali e já venho :wall:

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

63. Muddy Waters also analyzed Mota-Engil's subsidiaries' local filings to build a dataset of Mota-Engil's debts by subsidiary. From local registries, Muddy Waters accessed the 2023 accounts for 81 of Mota-Engil's 230 subsidiaries and the 2024 accounts for 61 of the subsidiaries. Muddy Waters found around €160 million more debt than Mota-Engil had reported in its consolidated accounts.

64. For example, Muddy Waters discovered that Mota-Engil had failed to disclose or mischaracterized massive debts held by its primary operating entity in Mexico, Mota-Engil Mexico ("ME Mexico"), which is 51% owned by Mota-Engil and fully consolidated.

65. Muddy Waters reviewed security documents publicly filed by ME Mexico, which demonstrate that, in July 2023, ME Mexico obtained a debt facility that initially had a capacity of 3 billion MXN but was increased in size in October 2023 to 5 billion MXN (approximately €280 million) and then in March 2024 to 7 billion MXN (approximately €390 million).

66. This secured credit facility was not disclosed by Mota-Engil to investors. Instead, Mota-Engil disclosed a €33 million facility in 2023, rising to €93 million by end of 2024.

Aqui a Muddy Waters alega que:
    :arrow: Analisou contas locais de 81 subsidiárias (em 230 totais) e encontrou ~160M€ "a mais" face ao relatório de contas consolidado da Mota;
    :arrow: A Mota-Engil México teria uma facilidade de 7 mil milhões MXN (~€390M) mas só reportou 93M€
E que portanto aqui há "dívida oculta" para enganar investidores.

Primeiro, facilidade de crédito (credit facility) é o limite máximo disponível para utilização, não a dívida efetivamente utilizada.

Numa analogia simples, se temos um plafond de cartão de crédito de 10.000€ e usamos 2.000€, a nossa dívida é de 2.000€ (montante usado) e não de 10.000€ (a tal credit facility).

Se a ME México tem uma facilidade de 390M€ mas só usou 93M€, reporta 93M€, será que a Muddy está a acusar a Mota de não reportar dinheiro que... não deve!?!? Não entendo estes argumentos!

Depois a Muddy gaba-se de ter "acedido a registos locais de 81 subsidiárias em 230" para "reconstruir" a dívida consolidada da Mota-Engil, mas muitas delas estão sediadas em África e na América Latina, não sendo obrigadas a auditorias externas nem a seguir normas IFRS. Para além disso, reportam em moedas voláteis sujeitas conversões para euro flutuantes consoante a data em que foram calculadas.

Olhando para a inabilidade da Muddy conseguir calcular a taxa de juro média da dívida da Mota, dou zero de credibilidade a uma reconstrução da dívida da Mota com base em contas locais de 81 subsidiárias diferentes.

Notem ainda que os relatórios de contas da Mota-Engil são auditados por entidades externas certificadas (a de 2024 foi conduzida pela PwC (Price Waterhouse Coopers)), portanto, para existir 160M€ de dívida escondida, seria necessário:
    :arrow: A PwC não detetar nada (o que é improvável)
    :arrow: A PwC estar em conluio criminoso com a ME (crime de certificação ilegal)
    :arrow: A CMVM não detetar nada nas suas supervisões (isto já não me chocaria :lol:)
    :arrow: Os bancos credores não reclamarem de discrepâncias nos reportes de "compliance"
Como diria Manuel Moura dos Santos... Ó Muddy, "vai-te encher de moscas pá!".
In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

67. Fourth, Muddy Waters concluded that the Mota family has a history of using its board control to extract money from Mota-Engil at the expense of other shareholders.

68. For example, Muddy Waters identified two alarming deals where the Mota family extracted cash from Mota-Engil at shareholder expense. Both of these deals happened in 2020, a time when Mota-Engil's share price was on the floor and the company had, for the third year in a row, breached debt covenants.

(...)

72. The second deal involved the Mota family using its investment vehicle, MGP, to flip an asset—land in Angola—to Mota-Engil for an approximately €22 million cash gain.

(...)

75. (...)

Bem, nestes factos já nem me vou dar ao trabalho (até porque o post já vai muito longo).

Aqui a Muddy reporta dois casos alegadamente fraudulentos que desviaram dinheiro dos acionistas.
O primeiro referente ao aumento de capital de 2020 e o outro referente a um negócio sobre uma plantação de cacau.

Não vou dissertar sobre os casos em concreto porque não tenho dados para concordar ou refutar as alegações da Muddy, porém é fundamental notar que a Muddy Waters apresenta apenas dois casos em toda a história da Mota-Engil, uma empresa com décadas de existência e milhares de transações e negócios realizados em dezenas de países.

A Muddy Waters está, nestes argumentos finais, a tentar construir uma narrativa de má governação sistemática por parte da Mota-Engil, mas dois casos isolados são estatisticamente irrelevantes e não provam padrão recorrente de má-fé.

Lembro também que estes casos remontam a 2019/2020 e que o atual CEO e presidente do conselho de administração tomou posse em 2023, a ter existido gestão danosa teria sido na vigência de administrações anteriores, logo esta é uma tentativa desesperada de justificar o short atacando a idoneidade e honestidade da gestão da Mota Engil... mas se a administração mudou... onde está a prova transitiva que a administração atual teria a mesma conduta?

NOTA FINAL: Na minha opinião a cotação da Mota-Engil será "julgada" pelos investidores com base nos resultados da empresa, operacionais e líquidos, presentes e futuros e pela sua governação a cargo da nova administração.
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Rolling_Trader » 1/2/2026 20:32

Caros,

Vou dissertar, num loooooongo post, o processo judicial de difamação que a Muddy Waters moveu, no estado do Texas, contra o CEO da Mota-Engil por difamação, cujo processo pode ser consultado aqui.

Em causa estão as declarações proferidas pelo CEO numa entrevista ao expresso, que foi também alvo de notícia no jornal de negócios, onde alegou ter existido "manipulação do mercado" e "concertação, da Muddy Waters, com outros fundos para destruição do valor da ação da Mota-Engil".

Sendo um processo por difamação, a Muddy não precisava de justificar o short que fez sobre a Mota, mas mesmo assim decidiu fazê-lo (provavelmente para dar mais força à acusação) afirmando que o seu short é sustentado em research e fundamentação financeira.

Vou começar já pelo fim e apresentar as minhas conclusões antes de detalhar a parte financeira (parte essa mais aborrecida para quem não domina os temas).

Conclusão: A argumentação financeira da Muddy Waters faz jus ao nome do fundo, navega em águas lamacentas, dizendo meias verdades para construir a narrativa que mais lhe convém, tirando conclusões financeiras com base em análises superficiais, pouco credíveis e consistentemente tendenciosas, que não espelham a atual situação financeira da empresa.

Este processo veio a dissipar dúvidas do porquê da Muddy nunca ter liberado nenhum relatório no seu site oficial a justificar o short contra a Mota.
A justificação é simples: A argumentação da Muddy é fraca e seria facilmente desmontável, acabando por criar mais dano reputacional ao fundo de investimento do que à própria Mota-Engil .

Portanto acho que este processo é uma maneira ardilosa da Muddy tornar público os seus fracos argumentos sem necessitar fazer grandes fundamentações ou apresentar um relatório financeiro detalhado (o processo de difamação não obriga a isso).

Parece, a meu ver, uma tentativa desesperada de provocar mossa na cotação da ação enquanto a Mota-Engil e o CEO preparam a defesa e a apresentam em tribunal. Até lá estarão "obrigados" a segredo de justiça e não se podem pronunciar publicamente sobre estas alegações.

Uma triste e inqualificável jogada por parte da Muddy Waters, mas na era de Trump este é infelizmente o modo de atuação dos americanos hoje em dia. Enfim!

Segue abaixo a minha análise à matéria factual financeira elencada pela Muddy Waters no processo judicial, irei citar o original em inglês (para que não se perca nada na tradução) e refutar em português, ponto a ponto, os factos apresentados de forma a corroborar as conclusões que apresentei acima.

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

55. First, Muddy Waters determined that Mota-Engil’s cash generation is structurally weak, despite Mota-Engil reporting a massive increase in its operating cash flow in 2022.

56. Muddy Waters’ research team reconstructed Mota-Engil’s cash flows and discovered that Mota-Engil’s reported cash generation in 2022 was flattered by a massive increase in contract liabilities and trade payables, which contributed over €900 million to its operating cash flow. Muddy Waters concluded that other than that anomalous year, Mota-Engil’s cash generation has been poor, and the company’s dividends have been funded with debt.

Aqui a Muddy alega que a geração de caixa da Mota-Engil é "cronicamente fraca" e que o Cash Flow Operacional de 2022 foi artificialmente inflacionado por €900M em passivos operacionais, sendo os dividendos totalmente financiados por dívida.

Se consultarmos os dados financeiros anuais agregados do cash flow operacional, disponíveis no investing.com, referentes aos últimos 5 anos:

Mota_Cash_Flow_Statement.jpg
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Os dados demonstram uma trajetória consistente de crescimento do Cash Flow Operacional (CFO) e não "fraqueza crónica".
Mesmo excluindo 2022, o CFO cresceu 83% entre 2020 e 2024 (de €221M para €404M).

Uma empresa que quase duplica a geração de caixa operacional em 4 anos não pode ser classificada como tendo geração "cronicamente fraca".

Já o "Pico" de 2022 reflete expansão já que o aumento de passivos operacionais em 2022 foi consequência direta de crescimento explosivo de receitas, conforme se constata na comparação anual do balanço patrimonial disponível no investing.com

Mota_Statements_Highlight.jpg
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Mota_Balance_Sheet.jpg
Mota_Balance_Sheet.jpg (51.05 KiB) Visualizado 1456 vezes

Note-se que as receitas subiram 47% de 2021 para 2022) e 46% de 2022 para 2023 e o total de ativos cresceu de €5,4B (2021) para €7,7B (2023)

Isto justifica o "pico" de 2022 pois, em projetos de construção e engenharia, o aumento do passivo corrente é normal e saudável quando proporcional ao aumento do volume de negócios.

Já a alegação que os dividendos são "sistematicamente financiados por dívida" é factualmente incorreta.

Em 3 dos últimos 5 anos, os dividendos foram totalmente cobertos pelo free cash flow.

Mota_Dividend_Coverage.jpg
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É verdade que em 2021 e 2023 o Levered FCF foi negativo, o que tecnicamente significa que os dividendos desses anos não foram cobertos, mas:

    1. Em 2021, a empresa reduziu a dívida líquida em €67M, pelo que os dividendos (€14M) foram pagos através de refinanciamento e reservas de caixa e não por aumento de endividamento.

    2. Em 2023, o FCF negativo deveu-se a CAPEX recorde de €455M (investimento em crescimento). O aumento de dívida (€421M) foi direcionado ao CAPEX e não ao pagamento de dividendos de €60M.
O que Muddy não diz (porque não lhe interessa) é que no ciclo de 2020 a 2024, o Equity da Mota cresceu €702M, ou seja 481%, o que demonstra que a política de dividendos (de €167M totais nesse período) foi conservadora face ao valor patrimonial criado.

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

57. Second, Muddy Waters determined that, since 2018, approximately 60% of Mota- Engil's net income accrued to non-controlling interests ("NCIs"), and over half of dividends were paid to local partners in Mota-Engil's markets around the world, not to Mota-Engil shareholders. As a result, earnings before interest, taxes, depreciation, and amortization ("EBITDA") were shared with the NCIs, while debt was concentrated at the parent—Mota- Engil—and in its wholly-owned subsidiaries.

Aqui a Muddy Waters alega que "aproximadamente 60% do lucro líquido desde 2018 vai para interesses minoritários" e que isto representa uma captura desproporcional de valor entre o que vai para os parceiros locais e o que sobra para o acionista.

Este é, de longe, o argumento mais aberrante da Muddy Waters pois revela total desconhecimento da história da Mota Engil, dos seus parceiros de negócio e da forma de operar do setor quando há operações internacionais em África e na América Latina onde é comum operar via joint ventures e concessões com parceiros locais.

Isso dilui o resultado atribuível à casa-mãe (os tais NCI) é certo, mas também dilui o risco e principalmente "facilita" as adjudicações, bem como a atribuição de licenças e a execução local das obras.

Portanto a estrutura de NCIs da Mota-Engil não é uma anomalia contabilística, é uma opção estratégica, amplamente divulgada em entrevistas e conference calls pela direção e reportada, nos relatórios de contas da Mota, às claras e de acordo com as regras financeiras internacionais.

O mais importante é que, nas demonstrações de resultados da Mota-Engil, são precisamente os países que têm mais NCIs (Angola, México e Nigéria), aqueles que têm mais rendibilidade e isso justifica a opção estratégica.

A verdade que a Muddy não revela é que, apesar dos NCI, o resultado do Grupo (isto é, o resultado atribuível ao acionista) tem vindo a crescer consistentemente:

    :arrow: 2021: Resultado líquido de €61M, para os NCIs foram €39M (~64%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 22M€
    :arrow: 2022: Resultado líquido de €77M, para os NCIs foram €37M (~48%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 41M€ (+95% YoY)
    :arrow: 2023: Resultado líquido de €266M, para os NCIs foram €153M (~58%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 113M€ (+175% YoY)
    :arrow: 2024: Resultado líquido de €273M, para os NCIs foram €151M (~55%) e para o Grupo (i.e. para o acionista) 123M€ (+8% YoY)
Acrescente-se ainda o facto da Muddy estar a ignorar mudanças recentes à estrutura dos NCIs como a redução dos interesses minoritários:
    :arrow: Em Angola de 49% (em 2021) para 33% (a partir de 2022)
    :arrow: E a mais recente aquisição da totalidade da "Empresa Construtora do Brasil", passando de interesses minoritários de 50%, no Brasil, para ZERO.
Em suma, o ponto 57 descreve um facto, mas tira uma conclusão enviesada.

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

58. Third, Muddy Waters found that Mota-Engil's accounts indicate that the company owes more (and more expensive) debt than it had publicly reported.

59. In its 2023 accounts, Mota-Engil disclosed an “average cost of gross debt plus” to communicate its cost of debt to shareholders. According to Mota-Engil, its “average cost of gross debt plus” reached 7.6% on December 31, 2023.

60. Muddy Waters determined that Mota-Engil's "average cost of gross debt plus" figure understates the company's true cost of capital and is not a useful indicator.

61. For example, after Muddy Waters compared Mota-Engil's reported liabilities with its profits and losses and cash interest expenses, it determined that Mota-Engil's 2024 effective debt rate was 10.5-14.1%—which was significantly greater than Mota-Engil's reported averages and suggested either larger intra-period debt, higher pricing, or undisclosed or incorrect balance sheet liabilities.

62. Similarly, when Muddy Waters calculated a weighted interest rate from Mota- Engil's disclosure, it arrived at a higher weighted average cost of debt and was still left with an unexplained approximately €50 million shortfall in implied interest versus what Mota-Engil reported. This analysis led Muddy Waters to conclude that Mota-Engil had unreported debt and/or an inaccurate or misleading balance sheet at year end.

Nestes pontos a Muddy Waters alega que a taxa média de juro reportada pela ME no relatório de 2023, de 7,6% é falsa e que a taxa "real" seria entre 10,5%-14,1% e que portanto existe um "gap" de ~50M€ em juros não explicados o que sugere dívida oculta ou passivos de balanço não reportados.

Esta questão foi extensamente debatida aqui no Caldeirão quando a Muddy divulgou o seu short em novembro de 2024, em que na altura, tendo só o relatório de contas do primeiro semestre de 2024, também ninguém conseguia chegar àquela taxa de juro reportada.
Na altura o forista afcapitao teve a excelente iniciativa de questionar a Mota-Engil, cuja resposta foi publicada pelo próprio afcapitao neste post.

Na prática os foristas, estavam a calcular uma taxa de juro de 11%, fazendo uma divisão simplista de Juros Pagos / Dívida Bruta, já a Mota-Engil calculou a taxa de juro média considerando apenas os juros efetivamente pagos sobre dívida bancária, excluindo custos financeiros contabilísticos (IFRS-15, descontos de provisões), retenções fiscais não recuperáveis e juros de ativos descontinuados, aplicados sobre o stock médio trimestral de dívida dos últimos 5 trimestres.

Em suma, que um forista leigo faça uma divisão básica é uma coisa, já um fundo financeiro fazer o mesmo e depois alegue que essa discrepância sugere dívida oculta ou passivos de balanço não reportados é simplesmente absurdo.

Se a Mota quisesse ocultar alguma coisa retirava-a do balanço e apresentava a taxa de juro resultante da divisão simplista, sem ninguém desconfiar.

Porém as os relatórios de contas são auditados e não é fácil, nem ético, nem legal esconder o que quer que seja.

Portanto a Mota-Engil não cometeu nenhuma ilegalidade. Segundo a norma IFRS 7, a Mota-Engil é apenas obrigada a reportar a Dívida Total, os Juros Totais Pagos, as Maturidades e a Exposição ao Risco de Taxa de Juro.

Nenhuma empresa é obrigada a calcular ou a divulgar a taxa média ponderada do juro da dívida, nem existem normas rígidas para o seu cálculo, pelo que esta é uma falsa questão e já foi explicada pela empresa.

Porque é que a Muddy não colocou a questão à Mota-Engil em vez de fazer contas de merceeiro e assumir que havia falcatrua?
Será isto a tal "boa fé" que a Muddy Waters alega, na acusação do Texas, ter tido aquando da abertura do short?

Se isto é boa fé... vou ali e já venho :wall:

In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

63. Muddy Waters also analyzed Mota-Engil's subsidiaries' local filings to build a dataset of Mota-Engil's debts by subsidiary. From local registries, Muddy Waters accessed the 2023 accounts for 81 of Mota-Engil's 230 subsidiaries and the 2024 accounts for 61 of the subsidiaries. Muddy Waters found around €160 million more debt than Mota-Engil had reported in its consolidated accounts.

64. For example, Muddy Waters discovered that Mota-Engil had failed to disclose or mischaracterized massive debts held by its primary operating entity in Mexico, Mota-Engil Mexico ("ME Mexico"), which is 51% owned by Mota-Engil and fully consolidated.

65. Muddy Waters reviewed security documents publicly filed by ME Mexico, which demonstrate that, in July 2023, ME Mexico obtained a debt facility that initially had a capacity of 3 billion MXN but was increased in size in October 2023 to 5 billion MXN (approximately €280 million) and then in March 2024 to 7 billion MXN (approximately €390 million).

66. This secured credit facility was not disclosed by Mota-Engil to investors. Instead, Mota-Engil disclosed a €33 million facility in 2023, rising to €93 million by end of 2024.

Aqui a Muddy Waters alega que:
    :arrow: Analisou contas locais de 81 subsidiárias (em 230 totais) e encontrou ~160M€ "a mais" face ao relatório de contas consolidado da Mota;
    :arrow: A Mota-Engil México teria uma facilidade de 7 mil milhões MXN (~€390M) mas só reportou 93M€
E que portanto aqui há "dívida oculta" para enganar investidores.

Primeiro, facilidade de crédito (credit facility) é o limite máximo disponível para utilização, não a dívida efetivamente utilizada.

Numa analogia simples, se temos um plafond de cartão de crédito de 10.000€ e usamos 2.000€, a nossa dívida é de 2.000€ (montante usado) e não de 10.000€ (a tal credit facility).

Se a ME México tem uma facilidade de 390M€ mas só usou 93M€, reporta 93M€, será que a Muddy está a acusar a Mota de não reportar dinheiro que... não deve!?!? Não entendo estes argumentos!

Depois a Muddy gaba-se de ter "acedido a registos locais de 81 subsidiárias em 230" para "reconstruir" a dívida consolidada da Mota-Engil, mas muitas delas estão sediadas em África e na América Latina, não sendo obrigadas a auditorias externas nem a seguir normas IFRS. Para além disso, reportam em moedas voláteis sujeitas conversões para euro flutuantes consoante a data em que foram calculadas.

Olhando para a inabilidade da Muddy conseguir calcular a taxa de juro média da dívida da Mota, dou zero de credibilidade a uma reconstrução da dívida da Mota com base em contas locais de 81 subsidiárias diferentes.

Notem ainda que os relatórios de contas da Mota-Engil são auditados por entidades externas certificadas (a de 2024 foi conduzida pela PwC (Price Waterhouse Coopers)), portanto, para existir 160M€ de dívida escondida, seria necessário:
    :arrow: A PwC não detetar nada (o que é improvável)
    :arrow: A PwC estar em conluio criminoso com a ME (crime de certificação ilegal)
    :arrow: A CMVM não detetar nada nas suas supervisões (isto já não me chocaria :lol:)
    :arrow: Os bancos credores não reclamarem de discrepâncias nos reportes de "compliance"
Como diria Manuel Moura dos Santos... Ó Muddy, "vai-te encher de moscas pá!".
In US District Court for the Western District of Texas, Case 1:25-cv-02090

67. Fourth, Muddy Waters concluded that the Mota family has a history of using its board control to extract money from Mota-Engil at the expense of other shareholders.

68. For example, Muddy Waters identified two alarming deals where the Mota family extracted cash from Mota-Engil at shareholder expense. Both of these deals happened in 2020, a time when Mota-Engil's share price was on the floor and the company had, for the third year in a row, breached debt covenants.

(...)

72. The second deal involved the Mota family using its investment vehicle, MGP, to flip an asset—land in Angola—to Mota-Engil for an approximately €22 million cash gain.

(...)

75. (...)

Bem, nestes factos já nem me vou dar ao trabalho (até porque o post já vai muito longo).

Aqui a Muddy reporta dois casos alegadamente fraudulentos que desviaram dinheiro dos acionistas.
O primeiro referente ao aumento de capital de 2020 e o outro referente a um negócio sobre uma plantação de cacau.

Não vou dissertar sobre os casos em concreto porque não tenho dados para concordar ou refutar as alegações da Muddy, porém é fundamental notar que a Muddy Waters apresenta apenas dois casos em toda a história da Mota-Engil, uma empresa com décadas de existência e milhares de transações e negócios realizados em dezenas de países.

A Muddy Waters está, nestes argumentos finais, a tentar construir uma narrativa de má governação sistemática por parte da Mota-Engil, mas dois casos isolados são estatisticamente irrelevantes e não provam padrão recorrente de má-fé.

Lembro também que estes casos remontam a 2019/2020 e que o atual CEO e presidente do conselho de administração tomou posse em 2023, a ter existido gestão danosa teria sido na vigência de administrações anteriores, logo esta é uma tentativa desesperada de justificar o short atacando a idoneidade e honestidade da gestão da Mota Engil... mas se a administração mudou... onde está a prova transitiva que a administração atual teria a mesma conduta?

NOTA FINAL: Na minha opinião a cotação da Mota-Engil será "julgada" pelos investidores com base nos resultados da empresa, operacionais e líquidos, presentes e futuros e pela sua governação a cargo da nova administração.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por previsor » 30/1/2026 16:52

Não encontrei nenhuma notícia semelhante, acho que isto não costuma ser notícia.

É possível que existam acordos feitos sem divulgação pública, mas continua a parecer-me um bocadinho estranho a notícia da segunda feira seguinte sobre os abutres.

Mas independentemente das notícias, continuo a achar que a ação pode voltar subir na próxima semana, como tinha dito
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por NirSup » 30/1/2026 16:06

previsor Escreveu:Acho que em vez da notícia dos “abutres”, deveria ter sido dada a notícia do processo judicial.
Acho que ninguém noticiou, e isso parece um bocado estranho, e a notícia dos abutres também me pareceu estranha por se tratar apenas de 3%.


Processos Legais, apresentados em tribunais americanos por empresas como a Muddy Waters Research LLC (American investment research firm known for activist short selling), por DIFAMAÇÃO são raros. E, nos poucos casos existentes, os tribunais americanos têm, regra geral, mandado as queixas para o caixote do lixo com o argumento de que se trata de meras opiniões, protegidas pela Primeira Emenda.
Julgo que a empresa Muddy Waters não está à espera de receber uma indemnização da Mota-Engil, o seu propósito será mais a defesa da honra e reputação da empresa simplesmente.

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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Investor Tuga » 30/1/2026 13:31

JN hoje:
TDB Group estende para 250 milhões financiamento à Mota-Engil em África
Linha de financiamento do banco multilateral africano será para impulsionar projetos ferroviários, mineiros, de portos de contentores e aeroportos em Angola, República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria, Ruanda e Senegal.
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por previsor » 30/1/2026 11:40

19 de dezembro de 2025: foi quando a Muddy Waters Capital LLC apresentou formalmente o processo de difamação contra o CEO da Mota-Engil, Carlos António Vasco Mota dos Santos, e a própria Mota-Engil SGPS, S.A. no Tribunal Federal do Texas (Western District).


Foi na sexta feira.

Na segunda feira seguinte saiu a notícia:

Abutres não largam Mota-Engil. Mais de 3% do capital nas mãos de "short-sellers


Foi a partir daí que a ação voltou a descer.

Acho que em vez da notícia dos “abutres”, deveria ter sido dada a notícia do processo judicial.
Acho que ninguém noticiou, e isso parece um bocado estranho, e a notícia dos abutres também me pareceu estranha por se tratar apenas de 3%.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Kiko_463 » 30/1/2026 4:07

Águas passadas não movem moinhos. Esses dados já são de 2022. Nada tem a ver com a situação atual da empresa.
O CEO defendeu a empresa e fez muito bem. O fundo abrute perdeu a aposta e reputação, pois a estratégia não resultou. O tiro saiu-lhe pela culatra. Paciência!
Editado pela última vez por Kiko_463 em 30/1/2026 12:40, num total de 1 vez.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Rolling_Trader » 30/1/2026 1:11

Obrigado MarcoAntonio pelo link, já deu para perceber que a tradução do SierraCampane966 é "mais ou menos" equivalente às alegações da Muddy no original do processo legal.

E obrigado minibull pelas palavras e concordo que o SierraCampane966, pelo sem Modus Operandi, tem uma agenda diferente de "informar", mas enfim, é o que temos.

O SierraCampane966, não perderá a oportunidade de ter uma resposta com a minha refutação financeira a todas as alegações da Muddy que, como já referi, se tivessem sustentação teriam sido publicadas num relatório profissional no site de research da Muddy Waters e não mal escarrapachadas num processo legal de difamação contra uma pessoa singular.

Neste momento estou a trabalhar em overtime e não tenho tempo para escrever uma contra análise financeiramente sustentada, mas os argumentos da Muddy não colam e são facilmente refutáveis até por um aluno universitário de economia.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por previsor » 30/1/2026 1:10

O Marco já mostrou que o processo é real.
Talvez, em vez de criticar, fosse melhor perceber do que se trata...

Trata-se de um processo de difamação movido pela Muddy Waters Capital LLC contra o CEO da Mota-Engil, Carlos Mota dos Santos, num tribunal federal dos EUA (Austin, Texas).

O que está em causa:

O CEO da Mota-Engil fez declarações públicas acusando a Muddy Waters de manipular o mercado e tentar destruir o valor da ação da empresa.

A Muddy Waters alega que essas acusações são falsas e difamatórias, porque o short que fizeram foi baseado numa investigação séria sobre as finanças da Mota-Engil.

O objetivo do processo não é financeiro, mas proteger a reputação, criar registo legal, e mostrar que o short foi legítimo e de boa-fé.

Em resumo: é um conflito legal sobre reputação e credibilidade de um fundo de investimento, não sobre operações financeiras diretas na empresa.


https://dockets.justia.com/docket/texas ... hatgpt.com

https://www.pacermonitor.com/public/fil ... hatgpt.com
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Investor Tuga » 30/1/2026 1:06

E já percebemos o timing, hoje, dia em que foram publicadas duas excelentes notícias sobre a empresa!
A Mota devia era reconverter este processo numa ação de difamação contra a Muddy!!
E apresentar já o novo plano estratégico até 2030 para os entalar, a Muddy e os restantes fundos abutres/parasitas!
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por MXMX » 30/1/2026 0:50

SierraCampane966 Escreveu:Case 1:25-cv-02090-RP

IN THE UNITED STATES DISTRICT COURT
FOR THE WESTERN DISTRICT OF TEXAS

AUSTIN DIVISION
PLAINTIFF’S ORIGINAL COMPLAINT

Plaintiff Muddy Waters Capital LLC, by and through its counsel, for its Complaint,
alleges as follows:

PRELIMINARY STATEMENT

1. Plaintiff Muddy Waters Capital LLC (“Muddy Waters”) is an Austin, Texas-
based investment firm that focuses on short-selling companies it believes are misleading their

investors through manipulating their financial reports or outright fraud.
2. Muddy Waters is an activist investment firm: it conducts deep-dive research and
forensic accounting to assess a company’s true worth, uncover business fraud, accounting fraud,
and fundamental problems with opaque businesses that the market does not yet perceive.
3. In 2024, after months of research and analysis, Muddy Waters concluded that
Portuguese construction firm Defendant Mota-Engil, SGPS, S.A. (“Mota-Engil”) was materially

misleading its investors through, among other issues, underreporting its debt, and that Mota-
Engil’s controlling family was improperly extracting value from the company at the expense of

the public shareholders.

PLAINTIFF’S ORIGINAL COMPLAINT

Plaintiff Muddy Waters Capital LLC, by and through its counsel, for its Complaint,
alleges as follows:

PRELIMINARY STATEMENT

1. Plaintiff Muddy Waters Capital LLC (“Muddy Waters”) is an Austin, Texas-
based investment firm that focuses on short-selling companies it believes are misleading their

investors through manipulating their financial reports or outright fraud.
2. Muddy Waters is an activist investment firm: it conducts deep-dive research and
forensic accounting to assess a company’s true worth, uncover business fraud, accounting fraud,
and fundamental problems with opaque businesses that the market does not yet perceive.
3. In 2024, after months of research and analysis, Muddy Waters concluded that
Portuguese construction firm Defendant Mota-Engil, SGPS, S.A. (“Mota-Engil”) was materially

misleading its investors through, among other issues, underreporting its debt, and that Mota-
Engil’s controlling family was improperly extracting value from the company at the expense of

the public shareholders.

4. Specifically, Muddy Waters’ research led it to conclude that Mota-Engil’s cash
generation is chronically weak; a disproportionate share of its value is captured by local partners
and insiders, with roughly half of reported profit accruing to non-controlling interests; and most
of the company’s financial risk—debt raised by Mota-Engil or its wholly owned entities, or
guaranteed by them—sits with shareholders. Muddy Waters also uncovered evidence that led it
to conclude that Mota-Engil has debts in excess of those that can be reconciled with its public
reports, suggesting the company is concealing the scope of its liabilities from investors. And as
for Mota-Engil’s governance, Muddy Waters found that the Mota family, which first started the
company in 1946, has monetized control of the Mota-Engil boardroom through insider-tilted
deals, and by extracting tens of millions of Euros from the company even as it breached its debt
covenants three years in a row.

5. In short, Muddy Waters concluded that Mota-Engil was ripe for a short position.
6. Accordingly, starting in July 2024, Muddy Waters, through two of its managed
funds, took short positions in Mota-Engil.
7. As required by European and Portuguese securities regulations, Muddy Waters
timely disclosed its short positions to the Portuguese Securities Market Commission (Comissão
do Mercado de Valores Mobiliários or “CMVM”) which, when required by applicable law,
disclosed the positions to the public.
8. Muddy Waters did not in any way coordinate with other firms to short Mota-Engil
or engage in market manipulation.
9. By September 2024, Mota-Engil’s share price dropped to €2.50, down from €5.80
on March 1, 2024, which, at the time, was the highest price since 2014.

10. On October 14, 2024, Mota-Engil’s CEO, Defendant Carlos António Vasconcelos
Mota dos Santos, took to the press, where he blamed the drop in Mota-Engil’s share price on
Muddy Waters’ short positions and lamented that the company’s stock is “surely worth more
than twice its current value.”
11. Then, in December 2024, with Mota-Engil’s share price still below €3.00, Mr.
Mota dos Santos gave a lengthy interview to Expresso, Portugal’s best-selling newspaper.

12. Mr. Mota dos Santos appeared in the Expresso interview in his capacity as Mota-
Engil’s CEO.

13. In the Expresso interview, which was published on December 26, 2024, Mr. Mota
dos Santos repeatedly defamed Muddy Waters.
14. Specifically, Mr. Mota dos Santos stated that Muddy Waters “coordinated with
other funds” and engaged in “market manipulation” in a “concerted action to destroy the
value of [Mota-Engil’s] stock.”

15. Mr. Mota dos Santos’ statements were false: Muddy Waters did not coordinate
with other funds or engage in market manipulation. It did not take any actions “to destroy the
value” of Mota-Engil’s stock. It acted alone, conducted its own careful and comprehensive
research, concluded that Mota-Engil was seriously overvalued as a result of the manipulation of
its financial reports and the scope of extractive insider transactions, and disclosed its short
positions to CMVM, as applicable regulations required.
16. Mr. Mota dos Santos’ statements were defamatory per se because they tend to
injure Muddy Waters in its business as an investment firm and accuse Muddy Waters of
engaging in “market manipulation,” which is unlawful in Portugal and the European Union.

17. Mr. Mota dos Santos’ statements were also defamatory by implication because
they falsely suggested that Muddy Waters did not have a good-faith basis to take short positions
in Mota-Engil and instead shorted the company to manipulate the market and drive Mota-Engil’s
shares down.
18. Muddy Waters now brings this suit to set the record straight, clear its name, and
reverse the reputational harm caused by Mr. Mota dos Santos’ defamatory statements.

....

Muddy Waters’ Short of Mota-Engil Was Based on its Thorough Investigation of Mota-Engil,
Which Revealed that the Company Was Materially Misleading its Investors Through, Among
Other Issues, Underreporting its Debt, and that the Controlling Family Was Improperly
Extracting Value from the Company at the Expense of the Public Shareholders
54. Muddy Waters had a good-faith basis to short Mota-Engil: Muddy Waters
conducted deep research into Mota-Engil and discovered various accounting and structural flaws

and discrepancies that led Muddy Waters to conclude that the market was misperceiving Mota-
Engil’s true value and that the company was ripe for a short position.

55. First, Muddy Waters determined that Mota-Engil’s cash generation is structurally
weak, despite Mota-Engil reporting a massive increase in its operating cash flow in 2022.
56. Muddy Waters’ research team reconstructed Mota-Engil’s cash flows and
discovered that Mota-Engil’s reported cash generation in 2022 was flattered by a massive
increase in contract liabilities and trade payables, which contributed over €900 million to its
operating cash flow. Muddy Waters concluded that other than that anomalous year, Mota-Engil’s
cash generation has been poor, and the company’s dividends have been funded with debt.

57. Second, Muddy Waters determined that, since 2018, approximately 60% of Mota-
Engil’s net income accrued to non-controlling interests (“NCIs”), and over half of dividends

were paid to local partners in Mota-Engil’s markets around the world, not to Mota-Engil
shareholders. As a result, earnings before interest, taxes, depreciation, and amortization

(“EBITDA”) were shared with the NCIs, while debt was concentrated at the parent—Mota-
Engil—and in its wholly-owned subsidiaries.

58. Third, Muddy Waters found that Mota-Engil’s accounts indicate that the company
owes more (and more expensive) debt than it had publicly reported.
59. In its 2023 accounts, Mota-Engil disclosed an “average cost of gross debt plus” to
communicate its cost of debt to shareholders. According to Mota-Engil, its “average cost of gross
debt plus” reached 7.6% on December 31, 2023.
60. Muddy Waters determined that Mota-Engil’s “average cost of gross debt plus”
figure understates the company’s true cost of capital and is not a useful indicator.
61. For example, after Muddy Waters compared Mota-Engil’s reported liabilities with
its profits and losses and cash interest expenses, it determined that Mota-Engil’s 2024 effective
debt rate was 10.5-14.1%—which was significantly greater than Mota-Engil’s reported averages
and suggested either larger intra-period debt, higher pricing, or undisclosed or incorrect balance
sheet liabilities.

62. Similarly, when Muddy Waters calculated a weighted interest rate from Mota-
Engil’s disclosure, it arrived at a higher weighted average cost of debt and was still left with an

unexplained approximately €50 million shortfall in implied interest versus what Mota-Engil
reported. This analysis led Muddy Waters to conclude that Mota-Engil had unreported debt
and/or an inaccurate or misleading balance sheet at year end.

63. Muddy Waters also analyzed Mota-Engil’s subsidiaries’ local filings to build a
dataset of Mota-Engil’s debts by subsidiary. From local registries, Muddy Waters accessed the
2023 accounts for 81 of Mota-Engil’s 230 subsidiaries and the 2024 accounts for 61 of the
subsidiaries. Muddy Waters found around €160 million more debt than Mota-Engil had reported
in its consolidated accounts.
64. For example, Muddy Waters discovered that Mota-Engil had failed to disclose or
mischaracterized massive debts held by its primary operating entity in Mexico, Mota-Engil
Mexico (“ME Mexico”), which is 51% owned by Mota-Engil and fully consolidated.
65. Muddy Waters reviewed security documents publicly filed by ME Mexico, which
demonstrate that, in July 2023, ME Mexico obtained a debt facility that initially had a capacity of
3 billion MXN but was increased in size in October 2023 to 5 billion MXN (approximately €280
million) and then in March 2024 to 7 billion MXN (approximately €390 million).
66. This secured credit facility was not disclosed by Mota-Engil to investors. Instead,
Mota-Engil disclosed a €33 million facility in 2023, rising to €93 million by end of 2024.
67. Fourth, Muddy Waters concluded that the Mota family has a history of using its
board control to extract money from Mota-Engil at the expense of other shareholders.
68. For example, Muddy Waters identified two alarming deals where the Mota family
extracted cash from Mota-Engil at shareholder expense. Both of these deals happened in 2020, a
time when Mota-Engil’s share price was on the floor and the company had, for the third year in a
row, breached debt covenants.
69. The first deal involved the Chinese majority state-owned construction firm, China
Communications Construction Company, Ltd. (“CCCC”). In 2020, CCCC was looking to take a
stake in Mota-Engil and was willing to pay a control premium. The Mota family used its control
to negotiate a deal that extracted a pay-to-play fee worth over €80 million in cash to the Mota
family.
70. Specifically, the Mota family investment vehicle, Mota Gestão e Participações
(“MGP”), sold 55 million existing shares in Mota-Engil to CCCC at €3.08 per share (€169
million total), which represented a massive premium to the market price of approximately €1.50
at the time, and which was not offered to minorities. Mota-Engil then carried out an equity issue
on a preemptive basis at €1.50 per share, issuing 69,270,809 new shares (authorized up to 100
million shares). MGP also transferred 47.8 million rights to CCCC, which it used to subscribe for
44.4 million new shares.
71. As a result, the Mota family monetized 55 million shares at €3.08 per share,
capturing an approximately €85 million premium over the prevailing market price, and retained
the dominant position (approximately 38%) in the capitalization table, post-rights issue.
72. The second deal involved the Mota family using its investment vehicle, MGP, to
flip an asset—land in Angola—to Mota-Engil for an approximately €22 million cash gain.
73. In 2019, MGP paid an effective €50,000 to purchase a plot of land in Cabinda, a
troubled coastal exclave of Angola. In 2020, the intent had been to develop a cashew nut
plantation on the land, but the plan is now to grow cocoa instead.
74. In 2020, Mota-Engil paid MGP over €22 million for control over this asset and, as
a result, MGP made over 400 times its investment in one year.
75. Today, the planned cocoa plantation is still in its infancy, with no production
planned until 2026 at the earliest.

......


Já percebemos a ideia do post, e do suposto processo travestido.
Deixo a banda sonora.

Mata Ratos
https://youtu.be/yro8ktfpomI?si=IIKSNEIeC_0bk0dL
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por SierraCampane966 » 30/1/2026 0:21

Case 1:25-cv-02090-RP

IN THE UNITED STATES DISTRICT COURT
FOR THE WESTERN DISTRICT OF TEXAS

AUSTIN DIVISION
PLAINTIFF’S ORIGINAL COMPLAINT

Plaintiff Muddy Waters Capital LLC, by and through its counsel, for its Complaint,
alleges as follows:

PRELIMINARY STATEMENT

1. Plaintiff Muddy Waters Capital LLC (“Muddy Waters”) is an Austin, Texas-
based investment firm that focuses on short-selling companies it believes are misleading their

investors through manipulating their financial reports or outright fraud.
2. Muddy Waters is an activist investment firm: it conducts deep-dive research and
forensic accounting to assess a company’s true worth, uncover business fraud, accounting fraud,
and fundamental problems with opaque businesses that the market does not yet perceive.
3. In 2024, after months of research and analysis, Muddy Waters concluded that
Portuguese construction firm Defendant Mota-Engil, SGPS, S.A. (“Mota-Engil”) was materially

misleading its investors through, among other issues, underreporting its debt, and that Mota-
Engil’s controlling family was improperly extracting value from the company at the expense of

the public shareholders.

PLAINTIFF’S ORIGINAL COMPLAINT

Plaintiff Muddy Waters Capital LLC, by and through its counsel, for its Complaint,
alleges as follows:

PRELIMINARY STATEMENT

1. Plaintiff Muddy Waters Capital LLC (“Muddy Waters”) is an Austin, Texas-
based investment firm that focuses on short-selling companies it believes are misleading their

investors through manipulating their financial reports or outright fraud.
2. Muddy Waters is an activist investment firm: it conducts deep-dive research and
forensic accounting to assess a company’s true worth, uncover business fraud, accounting fraud,
and fundamental problems with opaque businesses that the market does not yet perceive.
3. In 2024, after months of research and analysis, Muddy Waters concluded that
Portuguese construction firm Defendant Mota-Engil, SGPS, S.A. (“Mota-Engil”) was materially

misleading its investors through, among other issues, underreporting its debt, and that Mota-
Engil’s controlling family was improperly extracting value from the company at the expense of

the public shareholders.

4. Specifically, Muddy Waters’ research led it to conclude that Mota-Engil’s cash
generation is chronically weak; a disproportionate share of its value is captured by local partners
and insiders, with roughly half of reported profit accruing to non-controlling interests; and most
of the company’s financial risk—debt raised by Mota-Engil or its wholly owned entities, or
guaranteed by them—sits with shareholders. Muddy Waters also uncovered evidence that led it
to conclude that Mota-Engil has debts in excess of those that can be reconciled with its public
reports, suggesting the company is concealing the scope of its liabilities from investors. And as
for Mota-Engil’s governance, Muddy Waters found that the Mota family, which first started the
company in 1946, has monetized control of the Mota-Engil boardroom through insider-tilted
deals, and by extracting tens of millions of Euros from the company even as it breached its debt
covenants three years in a row.

5. In short, Muddy Waters concluded that Mota-Engil was ripe for a short position.
6. Accordingly, starting in July 2024, Muddy Waters, through two of its managed
funds, took short positions in Mota-Engil.
7. As required by European and Portuguese securities regulations, Muddy Waters
timely disclosed its short positions to the Portuguese Securities Market Commission (Comissão
do Mercado de Valores Mobiliários or “CMVM”) which, when required by applicable law,
disclosed the positions to the public.
8. Muddy Waters did not in any way coordinate with other firms to short Mota-Engil
or engage in market manipulation.
9. By September 2024, Mota-Engil’s share price dropped to €2.50, down from €5.80
on March 1, 2024, which, at the time, was the highest price since 2014.

10. On October 14, 2024, Mota-Engil’s CEO, Defendant Carlos António Vasconcelos
Mota dos Santos, took to the press, where he blamed the drop in Mota-Engil’s share price on
Muddy Waters’ short positions and lamented that the company’s stock is “surely worth more
than twice its current value.”
11. Then, in December 2024, with Mota-Engil’s share price still below €3.00, Mr.
Mota dos Santos gave a lengthy interview to Expresso, Portugal’s best-selling newspaper.

12. Mr. Mota dos Santos appeared in the Expresso interview in his capacity as Mota-
Engil’s CEO.

13. In the Expresso interview, which was published on December 26, 2024, Mr. Mota
dos Santos repeatedly defamed Muddy Waters.
14. Specifically, Mr. Mota dos Santos stated that Muddy Waters “coordinated with
other funds” and engaged in “market manipulation” in a “concerted action to destroy the
value of [Mota-Engil’s] stock.”

15. Mr. Mota dos Santos’ statements were false: Muddy Waters did not coordinate
with other funds or engage in market manipulation. It did not take any actions “to destroy the
value” of Mota-Engil’s stock. It acted alone, conducted its own careful and comprehensive
research, concluded that Mota-Engil was seriously overvalued as a result of the manipulation of
its financial reports and the scope of extractive insider transactions, and disclosed its short
positions to CMVM, as applicable regulations required.
16. Mr. Mota dos Santos’ statements were defamatory per se because they tend to
injure Muddy Waters in its business as an investment firm and accuse Muddy Waters of
engaging in “market manipulation,” which is unlawful in Portugal and the European Union.

17. Mr. Mota dos Santos’ statements were also defamatory by implication because
they falsely suggested that Muddy Waters did not have a good-faith basis to take short positions
in Mota-Engil and instead shorted the company to manipulate the market and drive Mota-Engil’s
shares down.
18. Muddy Waters now brings this suit to set the record straight, clear its name, and
reverse the reputational harm caused by Mr. Mota dos Santos’ defamatory statements.

....

Muddy Waters’ Short of Mota-Engil Was Based on its Thorough Investigation of Mota-Engil,
Which Revealed that the Company Was Materially Misleading its Investors Through, Among
Other Issues, Underreporting its Debt, and that the Controlling Family Was Improperly
Extracting Value from the Company at the Expense of the Public Shareholders
54. Muddy Waters had a good-faith basis to short Mota-Engil: Muddy Waters
conducted deep research into Mota-Engil and discovered various accounting and structural flaws

and discrepancies that led Muddy Waters to conclude that the market was misperceiving Mota-
Engil’s true value and that the company was ripe for a short position.

55. First, Muddy Waters determined that Mota-Engil’s cash generation is structurally
weak, despite Mota-Engil reporting a massive increase in its operating cash flow in 2022.
56. Muddy Waters’ research team reconstructed Mota-Engil’s cash flows and
discovered that Mota-Engil’s reported cash generation in 2022 was flattered by a massive
increase in contract liabilities and trade payables, which contributed over €900 million to its
operating cash flow. Muddy Waters concluded that other than that anomalous year, Mota-Engil’s
cash generation has been poor, and the company’s dividends have been funded with debt.

57. Second, Muddy Waters determined that, since 2018, approximately 60% of Mota-
Engil’s net income accrued to non-controlling interests (“NCIs”), and over half of dividends

were paid to local partners in Mota-Engil’s markets around the world, not to Mota-Engil
shareholders. As a result, earnings before interest, taxes, depreciation, and amortization

(“EBITDA”) were shared with the NCIs, while debt was concentrated at the parent—Mota-
Engil—and in its wholly-owned subsidiaries.

58. Third, Muddy Waters found that Mota-Engil’s accounts indicate that the company
owes more (and more expensive) debt than it had publicly reported.
59. In its 2023 accounts, Mota-Engil disclosed an “average cost of gross debt plus” to
communicate its cost of debt to shareholders. According to Mota-Engil, its “average cost of gross
debt plus” reached 7.6% on December 31, 2023.
60. Muddy Waters determined that Mota-Engil’s “average cost of gross debt plus”
figure understates the company’s true cost of capital and is not a useful indicator.
61. For example, after Muddy Waters compared Mota-Engil’s reported liabilities with
its profits and losses and cash interest expenses, it determined that Mota-Engil’s 2024 effective
debt rate was 10.5-14.1%—which was significantly greater than Mota-Engil’s reported averages
and suggested either larger intra-period debt, higher pricing, or undisclosed or incorrect balance
sheet liabilities.

62. Similarly, when Muddy Waters calculated a weighted interest rate from Mota-
Engil’s disclosure, it arrived at a higher weighted average cost of debt and was still left with an

unexplained approximately €50 million shortfall in implied interest versus what Mota-Engil
reported. This analysis led Muddy Waters to conclude that Mota-Engil had unreported debt
and/or an inaccurate or misleading balance sheet at year end.

63. Muddy Waters also analyzed Mota-Engil’s subsidiaries’ local filings to build a
dataset of Mota-Engil’s debts by subsidiary. From local registries, Muddy Waters accessed the
2023 accounts for 81 of Mota-Engil’s 230 subsidiaries and the 2024 accounts for 61 of the
subsidiaries. Muddy Waters found around €160 million more debt than Mota-Engil had reported
in its consolidated accounts.
64. For example, Muddy Waters discovered that Mota-Engil had failed to disclose or
mischaracterized massive debts held by its primary operating entity in Mexico, Mota-Engil
Mexico (“ME Mexico”), which is 51% owned by Mota-Engil and fully consolidated.
65. Muddy Waters reviewed security documents publicly filed by ME Mexico, which
demonstrate that, in July 2023, ME Mexico obtained a debt facility that initially had a capacity of
3 billion MXN but was increased in size in October 2023 to 5 billion MXN (approximately €280
million) and then in March 2024 to 7 billion MXN (approximately €390 million).
66. This secured credit facility was not disclosed by Mota-Engil to investors. Instead,
Mota-Engil disclosed a €33 million facility in 2023, rising to €93 million by end of 2024.
67. Fourth, Muddy Waters concluded that the Mota family has a history of using its
board control to extract money from Mota-Engil at the expense of other shareholders.
68. For example, Muddy Waters identified two alarming deals where the Mota family
extracted cash from Mota-Engil at shareholder expense. Both of these deals happened in 2020, a
time when Mota-Engil’s share price was on the floor and the company had, for the third year in a
row, breached debt covenants.
69. The first deal involved the Chinese majority state-owned construction firm, China
Communications Construction Company, Ltd. (“CCCC”). In 2020, CCCC was looking to take a
stake in Mota-Engil and was willing to pay a control premium. The Mota family used its control
to negotiate a deal that extracted a pay-to-play fee worth over €80 million in cash to the Mota
family.
70. Specifically, the Mota family investment vehicle, Mota Gestão e Participações
(“MGP”), sold 55 million existing shares in Mota-Engil to CCCC at €3.08 per share (€169
million total), which represented a massive premium to the market price of approximately €1.50
at the time, and which was not offered to minorities. Mota-Engil then carried out an equity issue
on a preemptive basis at €1.50 per share, issuing 69,270,809 new shares (authorized up to 100
million shares). MGP also transferred 47.8 million rights to CCCC, which it used to subscribe for
44.4 million new shares.
71. As a result, the Mota family monetized 55 million shares at €3.08 per share,
capturing an approximately €85 million premium over the prevailing market price, and retained
the dominant position (approximately 38%) in the capitalization table, post-rights issue.
72. The second deal involved the Mota family using its investment vehicle, MGP, to
flip an asset—land in Angola—to Mota-Engil for an approximately €22 million cash gain.
73. In 2019, MGP paid an effective €50,000 to purchase a plot of land in Cabinda, a
troubled coastal exclave of Angola. In 2020, the intent had been to develop a cashew nut
plantation on the land, but the plan is now to grow cocoa instead.
74. In 2020, Mota-Engil paid MGP over €22 million for control over this asset and, as
a result, MGP made over 400 times its investment in one year.
75. Today, the planned cocoa plantation is still in its infancy, with no production
planned until 2026 at the earliest.

......
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por minibull » 29/1/2026 23:52

Caro Rolling,

bravo pela forma corajosa como vem desmascarar quem aqui se regista, pensando que instala o medo nos "pequeninos", pois muitos pequeninos juntos fazem um abutre grande.

Estava para não comentar; no entanto isto faz-me lembrar um outro forum, que não digo o nome, no qual se registou uma forista, com um nome inglês ou americano, e mal se regista "dispara" 7 ou 8 comentários "imbecis" e sem qualquer fundamento, contra a Mota-Engil, comentários esses proferidos de rajada e pejados de, como que de um ódio torpe, contra esta empresa.

Talvez isso que à primeira vista pareçe um ódio sem sentido, não será antes o desespero perante o facto de a empresa perante mentiras sem sentido, e a simulação de meias verdades, que na prática se traduzem em mentiras bem elaboradas, por a empresa continuar pujante com as encomendas a surgirem de vários quadrantes e de montantes astronómicos, catapultando esta nossa multinacional para outo patamar a nível das maiores construtoras mundiais, para além de a sua actividade ser enorme, não só na engenharia e construção, como em diversos sectores desde o ambiente, à engenharia industrial mineração, água e resíduos, produção eléctrica, ferrovias, já para não falar que se está a tornar igualmente num gigante ao nível das concessões. Não revelará isto o medo e o desespero subjacente de a empresa estar cada vez mais pujante, e as posições curtas começam a farejar o short squeeze ?

Será que estão com medo dos futuros projectos na Arábia Saudita, e do crescente interesse dos investidores árabes na empresa ? ou será do corredor do Lobito ? talvez do túnel rodo fevrroviário sub_aquatico no Brazil, que foi assinado hoje ?

Não me alongo mais, nem vou falar do nojo que sinto por indivíduos que se servem do medo, pensando que iludem os "coitadinhos" ou "pobrezinhos" na óptica deles.

Talvez o próprio processo contra a pseudo difamação por parte do CEO, seja uma fuga para a frente, pelo facto de não terem nada de irregular que pudessem apontar, de forma real e fundamentada, contra a empresa.

Enfim, parabéns pela sua intervenção para desmascarar os que parecem ser "oportunistas", e tomam atitudes deploráveis quiça para enganar os menos informados.

Um abraço.
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por MarcoAntonio » 29/1/2026 23:30

O processo ou suposto processo aparece em dois ou três sites, deixo aqui um dos links onde é possível ver o texto (clicando em [1]):

https://www.docketalarm.com/cases/Texas_Western_District_Court/1--25-cv-02090/Muddy_Waters_Capital_LLC_v._Mota_dos_Santos_et_al

Outro link (sem acesso ao texto):

https://dockets.justia.com/docket/texas/txwdce/1:2025cv02090/1172881047
Imagem

FLOP - Fundamental Laws Of Profit

1. Mais vale perder um ganho que ganhar uma perda, a menos que se cumpra a Segunda Lei.
2. A expectativa de ganho deve superar a expectativa de perda, onde a expectativa mede a
__.amplitude média do ganho/perda contra a respectiva probabilidade.
3. A Primeira Lei não é mesmo necessária mas com Três Leis isto fica definitivamente mais giro.
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por JUKIMSUNG » 29/1/2026 23:27

Hoje foi dia de notícias positivas na MOTA. Em condições normais a subida não parava nos 4,50. Como os States ao início da tarde ameaçam uma queda acima de 1% a coisa esfriou.

Tudo aponta para uma recuperação até aos 5€ pelo menos até à apresentação de resultados.

Vamos ver é se a TDU também recupera na mesma proporção mas só se for a reboque.
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Rolling_Trader » 29/1/2026 22:58

SierraCampane966 Escreveu:Obtive o texto do processo da Muddy Waters contra a Mota-Engil. Eis a parte relevante referente aos motivos da posição curta na empresa:
(...)

Boa noite meu caro/a,

Primeiro de tudo deixe-me desconfiar de um perfil criado ontem, que faz um post a perguntar "Alguém viu o processo da Muddy Waters contra a Mota-Engil? " e hoje, faz o seu segundo post a dizer que encontrou o processo, sem revelar a fonte, sem indicar links e faz uma cópia de um texto traduzido para português, sabe-se lá perdendo que detalhes na tradução.

Reportei o seu post à moderação e faço votos para que seja apagado a menos que decida revelar a sua fonte, com um link para a mesma que possa ser confirmado.

E porque é que desconfio do seu post:

    1. Não me parece lógico a Muddy Waters fazer um relatório detalhado a defender a sua posição curta para um processo de difamação. Pode efetivamente reforçar a acusação, mas sendo um processo acusatório, terá de ser o réu (i.e. o CEO da Mota) a provar que efetivamente existiu "concertação e manipulação de mercado", tal como afirmou nesta notícia Presidente da Mota-Engil pede mais regulação contra "manipulação do mercado".

    2. A existir um relatório técnico a justificar o short, que não fosse passível de ser rapida e eficientemente refutado pela própria Mota, a Muddy Waters teria-o publicado no seu próprio site (https://muddywatersresearch.com/research/), que é o seu Modus Operandi quando faz shorts ativistas. E isso não aconteceu!

O que encontrei na as minhas pesquisas web foi uma notícia publicada numa newsletter da "Brevarthan Research", com o título Mota-Engil: Swimming in Muddy Waters

Tive a oportunidade de confrontar outra forista (noutro fórum que não este) que teve o mesmo modo de operação que você, registou-se num dia e lançou esse rumor com nenhuma base de sustentação e depois desapareceu sem fazer mais posts.

Às alegações financeiras da Muddy, constantes na newsletter da Brevarthan, respondi o seguinte (no tal outro fórum, podem seguir os links para confirmar).

In Outro Fórum que não vou dizer o nome (post 1)

Já li o artigo no site da Brevarthan e não refere qualquer ação judicial contra a Mota-Engil. O texto é altamente vago em termos técnicos, de interessante não tem nada. Note Susana que, se a Muddy Waters tivesse uma linha de argumentação clara para justificar o short, teria publicado um relatório técnico a justificar o mesmo. A Muddy é um fundo autodenominado 'ativista' que abre shorts quando acha que as empresas estão com algum tipo de problema financeiro ou a manipular contas e acompanha (quase) SEMPRE com um relatório público no seu site. O facto de não ter publicado nenhum relatório sobre a Mota só demonstra que não têm argumentos técnicos e factuais para fundamentar anomalias financeiras sobre a Mota Engil.

In Outro Fórum que não vou dizer o nome (post 2)

Os rácios de dívida da Mota DL/EBITDA e DB/EBITDA estão alinhadas com os rácios do setor da construção e da maioria das construtoras europeias. Note que o volume de negócios da Mota-Engil quase duplicou desde 2021 e a carteira de encomendas mais que triplicou. É normal que este crescimento repentino exija mais investimento inicial (CAPEX) e que isso pressione negativamente o cash flow. Basta ter dois palmos de testa e pensar. A Mota conseguiu crescimento e agora entrou numa fase de otimização do lucro operacional e líquido, estabilização do CAPEX e melhoria da dívida, podendo-se dar ao luxo de só aceitar agora obras com perfis de rentabilidade mais elevados. A Muddy apostou curto no cavalo errado, já vão quase dois anos desde o short e não há maneira de fazerem buy to cover com lucro. Se há alguém que não sabe fazer contas é esse fundo abutre.

In Outro Fórum que não vou dizer o nome (post 3)

Eu não falei no rácio EV/EBITDA, falei dos rácios de dívida (bruta e líquida) sobre o EBITDA, tanto a dívida como o EBITDA levam em conta os interesses minoritários, daí serem rácios ideais para comparar a dívida entre outras empresas do mesmo setor. Quanto ao free cash flow você está a partir do pressuposto que a tabela anual apresentada no artigo da Brevarthan corresponde à forma canónica de o calcular, mas se consultar os dados constantes no investing e noutros site semelhantes, há um consenso relativo do Levered Free Cash Flow (já ajustado, na prática, para refletir o caixa atribuível aos acionistas da empresa-mãe). No investing o LFCF é de 148M€ (em 2020), -31M€ (em 2021), 219M€ (em 2022), -572M€ (em 2023) e 175M€ (em 2024), o que totaliza -61M€ e não os -800M€ que você refere (o próprio artigo que você cita refere -740M€, mas você ''arredondondou'' para -800M€, o que só prova o seu grau de parcialidade na análise). Dado que o artigo da Brevarthan não refere a fonte dos cálculos, nem as fórmulas, nem as parcelas consideradas, e existe uma diferença abismal entre os valores representados em sites idóneos da especialidade e a tabela do artigo, dou zero de credibilidade a essas contas. Depois há o facto de você estar a confundir (involuntária ou propositadamente) Free Cash Flow com Lucro Líquido, não são a mesma coisa, mas isso era tema para outro post gigante. Os rácios de valorização como o PER ou o EV não consideram o Free Cash Flow nas suas fórmulas mas sim o Lucro Líquido (excluído de interesses minoritários) reportado pela empresa, e esses cálculos são convencionados por normas contabilísticas internacionais e não podem ser ''cozinhados'' pela Mota. Já agora importa salientar que nos 25 anos da sua história em bolsa a Mota-Engil só teve lucro negativo num único ano e foi ''graças'' à paragem das operações devido ao COVID. Mas agora os tempos são outros, a Mota mudou o CEO e a estratégia está a mudar, a Mota cresceu o VN e o Backlog de obras para valores record nunca antes atingidos e agora o foco está no aumento da rentabilidade operacional e líquida e isso está expresso nas previsões dos analistas financeiros que seguem a empresa para os próximos 3 anos. Portanto a Muddy está a basear o seu short no passado da Mota, que inclui o período negro do COVID e não no crescimento atual e futuro. Meu caro, deixo aqui bem claro a você e a todos, A COTAÇÃO SEGUE SEMPRE OS RESULTADOS LÍQUIDOS PRESENTES E PRESPETIVA DE RESULTADOS FUTUROS. O passado é irrelevante!
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Investor Tuga » 29/1/2026 22:35

Está em causa um processo de difamação da Muddy contra a Mota-Engil??
Não consigo perceber…se há uma entidade a difamar outra é a Muddy a difamar a Mota-Engil!!!
Em que tribunal e em que data foi instaurado esse processo?
Acho estranho isso não ser noticiado em Portugal…!!!
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por SierraCampane966 » 29/1/2026 22:03

Obtive o texto do processo da Muddy Waters contra a Mota-Engil. Eis a parte relevante referente aos motivos da posição curta na empresa:

"Em primeiro lugar, a Muddy Waters determinou que a geração de cash-flow da Mota-Engil é estruturalmente fraca, apesar de a Mota-Engil ter reportado um aumento expressivo do seu cash flow operacional em 2022. A equipa de investigação da Muddy Waters reconstruiu os cash-flows da Mota-Engil e descobriu que a geração de cash-flow reportada em 2022 foi inflacionada por um aumento expressivo dos passivos contratuais e das contas a pagar comerciais, que contribuíram com mais de 900 milhões de euros para o seu cash flow operacional. A Muddy Waters concluiu que, com exceção deste ano atípico, a geração de cash-flow da Mota-Engil tem sido fraca e os dividendos da empresa têm sido financiados com dívida.

Em segundo lugar, a Muddy Waters determinou que, desde 2018, aproximadamente 60% do resultado líquido da Mota-Engil foi alocado a participações não controladoras ("PNCs") e mais de metade dos dividendos foram pagos a parceiros locais nos mercados da Mota-Engil em todo o mundo, e não aos acionistas da Mota-Engil. Como resultado, os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (“EBITDA”) foram partilhados com as participações não controladoras, enquanto a dívida foi concentrada na empresa-mãe — Mota-Engil — e nas suas subsidiárias integrais.

Em terceiro lugar, a Muddy Waters constatou que as demonstrações financeiras da Mota-Engil indicam que a empresa tem mais dívida (e dívidas mais caras) do que as divulgadas publicamente. Nas suas demonstrações financeiras de 2023, a Mota-Engil divulgou um “custo médio da dívida bruta mais” para comunicar o seu custo da dívida aos acionistas. De acordo com a Mota-Engil, o seu “custo médio da dívida bruta mais” atingiu os 7,6% a 31 de dezembro de 2023. A Muddy Waters determinou que o valor do “custo médio da dívida bruta mais” da Mota-Engil subestima o verdadeiro custo de capital da empresa e não é um indicador útil. Por exemplo, depois de a Muddy Waters ter comparado os passivos reportados da Mota-Engil com os seus lucros e prejuízos e gastos com juros em caixa, determinou que a taxa efetiva de endividamento da Mota-Engil em 2024 era de 10,5% a 14,1% — o que era significativamente superior às médias reportadas pela Mota-Engil e sugeria um endividamento intra-período mais elevado, preços mais elevados ou passivos não divulgados ou incorretos no balanço. Da mesma forma, quando a Muddy Waters calculou uma taxa de juro ponderada a partir da informação divulgada pela Mota-Engil, chegou a um custo médio ponderado da dívida mais elevado e ainda assim apresentou uma discrepância inexplicável de aproximadamente 50 milhões de euros em juros implícitos em comparação com o que a Mota-Engil tinha reportado. Esta análise levou a Muddy Waters a concluir que a Mota-Engil tinha dívidas não reportadas e/ou um balanço impreciso ou enganador no final do ano. A Muddy Waters analisou também os registos locais das subsidiárias da Mota-Engil para construir um conjunto de dados das dívidas da Mota-Engil por subsidiária. A partir dos registos locais, a Muddy Waters acedeu às demonstrações financeiras de 2023 de 81 das 230 subsidiárias da Mota-Engil e às demonstrações financeiras de 2024 de 61 dessas subsidiárias. A Muddy Waters encontrou cerca de 160 milhões de euros a mais em dívida do que a Mota-Engil tinha reportado nas suas demonstrações financeiras consolidadas. Por exemplo, a Muddy Waters descobriu que a Mota-Engil não divulgou ou caracterizou erradamente dívidas enormes detidas pela sua principal entidade operacional no México, a Mota-Engil México (“ME México”), da qual a Mota-Engil detém 51% e que está totalmente consolidada. A Muddy Waters analisou documentos de garantia apresentados publicamente pela ME México, que demonstram que, em julho de 2023, a ME México obteve uma linha de crédito inicialmente com uma capacidade de 3 mil milhões de MXN, mas que foi aumentada em outubro de 2023 para 5 mil milhões de MXN (aproximadamente € 280 milhões) e, em março de 2024, para 7 mil milhões de MXN (aproximadamente € 390 milhões). Esta linha de crédito garantida não foi divulgada pela Mota-Engil aos investidores. Em vez disso, a Mota-Engil divulgou uma linha de crédito de 33 milhões de euros em 2023, que subiria para 93 milhões de euros até ao final de 2024.

Em quarto lugar, a Muddy Waters concluiu que a família Mota tem um historial de utilização do seu controlo acionista para extrair dinheiro da Mota-Engil em detrimento de outros acionistas. Por exemplo, a Muddy Waters identificou dois negócios alarmantes em que a família Mota extraiu dinheiro da Mota-Engil à custa dos acionistas. Ambos os negócios ocorreram em 2020, altura em que o preço das ações da Mota-Engil estava em baixa e a empresa tinha, pelo terceiro ano consecutivo, violado cláusulas contratuais de dívida. O primeiro negócio envolveu a construtora estatal chinesa China Communications Construction Company, Ltd. (“CCCC”). Em 2020, a CCCC procurava adquirir uma participação na Mota-Engil e estava disposta a pagar um prémio pelo controlo acionista. A família Mota usou o seu controlo para negociar um acordo que resultou numa taxa de "pagamento por influência" no valor de mais de 80 milhões de euros em dinheiro para a família Mota. Em concreto, o veículo de investimento da família Mota, Mota Gestão e Participações (“MGP”), vendeu 55 milhões de ações existentes da Mota-Engil à CCCC a 3,08 euros por ação (totalizando 169 milhões de euros), o que representou um prémio considerável face ao preço de mercado de aproximadamente 1,50 euros à data, e que não foi oferecido aos acionistas minoritários. A Mota-Engil realizou então uma emissão de ações com direito de preferência a € 1,50 por ação, emitindo 69.270.809 novas ações (com autorização para até 100 milhões de ações). A MGP transferiu ainda 47,8 milhões de direitos para a CCCC, que os utilizou para subscrever 44,4 milhões de novas ações.

Como resultado, a família Mota monetizou 55 milhões de ações a 3,08 euros por ação, obtendo um prémio de aproximadamente 85 milhões de euros sobre o preço de mercado em vigor, e manteve a posição dominante (aproximadamente 38%) na tabela de capitalização, após a emissão de direitos. O segundo negócio envolveu a família Mota a utilizar o seu veículo de investimento, MGP, para revender um activo — um terreno em Angola — à Mota-Engil por um lucro em dinheiro de aproximadamente 22 milhões de euros. Em 2019, a MGP pagou 50.000€ para comprar um terreno em Cabinda, um problemático enclave costeiro de Angola. Em 2020, a intenção era desenvolver uma plantação de castanha de caju no terreno, mas o plano agora é cultivar cacau. Em 2020, a Mota-Engil pagou à MGP mais de 22 milhões de euros pelo controlo deste ativo e, como resultado, a MGP multiplicou o seu investimento por mais de 400 num ano. Hoje, a plantação de cacau planeada ainda está numa fase inicial, sem produção prevista antes de 2026."
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Kiko_463 » 29/1/2026 20:06

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Re: Mota Engil - Muddy Waters

por SierraCampane966 » 29/1/2026 14:39

Alguém viu o processo da Muddy Waters contra a Mota-Engil? Parece que foi aberto um processo por difamação no Texas contra a empresa, e há um resumo dos motivos para apostar na queda das ações no processo. Vou procurar no sistema PACER, mas se alguém já viu agradecia. O processo menciona dívida subestimada, problemas de liquidez e de fluxo de caixa, bem como algumas negociações questionáveis ​​com partes relacionadas. Penso que existe um tópico no Substack sobre o assunto algures. Se conseguir o processo, publico aqui as partes relevantes.
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por Sinedrio » 28/1/2026 23:44

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A média móvel de 50 no gráfico semanal já serviu de suporte pelo menos três vezes no passado. Agora está próximo dela, acho que há possibilidade de subir na próxima semana, mas é apenas uma possibilidade, porque também não é algo que aconteceu muitas vezes


Mesmo que não suba esta semana, se descer pouco e se fechar a semana próximo do nível atual, ainda acho que pode subir na próxima



É precisamente por isto que estou de olho na Mota novamente... Está apetecível de reentrar.
 
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Re: Mota Engil - Tópico Geral

por previsor » 27/1/2026 21:11

previsor Escreveu:
A média móvel de 50 no gráfico semanal já serviu de suporte pelo menos três vezes no passado. Agora está próximo dela, acho que há possibilidade de subir na próxima semana, mas é apenas uma possibilidade, porque também não é algo que aconteceu muitas vezes


Mesmo que não suba esta semana, se descer pouco e se fechar a semana próximo do nível atual, ainda acho que pode subir na próxima
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Re: Mota Engil - Tópico Geral "uma Opinião"

por Aqui_Vale » 25/1/2026 23:31

[quote="Kiko_463"]Simply WallStreet avalia a ação em 10,19€[/quote

Independentemente do valor atribuído a uma empresa cotada em Bolsa, por qualquer casa da especialidade, e cálculos demonstrativos apresentados aqui, pelos fundamentalistas, o real valor é determinado pela cotação a qualquer momento.
Neste caso, a MOTA vale tanto quanto 4,80, no futuro poderá valer os 10,19 mas o futuro é incerto, e não vale a pena fazer grande contas.
Amanhã poderá valer mais ou menos, ou a mesma coisa. Não vale por isso a pena estar a "fazer contas com o ovo no cu da galinha"

Só por curiosidade, continuo de fora e com os meus objetivos bem mais para sul, entretanto vou fazendo pequenas viajens.

CumPrim/
ValeAquilino

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"Se ensinares, ensina ao mesmo tempo a duvidar daquilo que estás a ensinar."
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