Caldeirão da Bolsa

Galp - Tópico Geral

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

Re: Galp - Tópico Geral

por Opcard33 » 8/1/2026 12:02

Na Galp devemos estar mais atento a isto é verdade os espanhóis não são cotados , mas são empresas próximas na dimensão.

“ As negociações da Galp com a espanhola Moeve para uma eventual fusão nos negócios downstream enquadram-se na estratégia de formar parcerias com "operadores altamente credíveis", numa complementaridade que neste caso representa a oportunidade de "criar grandes grupos europeus na Península Ibérica", segundo Paula Amorim, presidente da petrolífera portuguesa.
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por J.f.vieira » 8/1/2026 11:27

NirSup Escreveu:Irónico ou Ridículo?
Ou ridiculamente irónico?

Este homem, que já foi durante anos CEO da Galp, deu uma entrevista (podcast) onde afirmou o seguinte:
Os EUA estão a dizer que o petróleo vai durar por muitos e bons anos”
Obviamente que ele não acredita nisso e está a ser irónico.
Mas porque razão não deu a sua opinião sobre o futuro (ou não futuro) do petróleo?
Enquanto CEO da Galp tomou medidas na direção da transição energética para as energias renováveis. Mas nunca foi muito claro sobre qual o rumo que a Galp deveria seguir nesta matéria.
Submarino que gosta de navegar em águas turvas.

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Irónico? Talvez. Mas sobretudo revelador.

Quando um ex-CEO da Galp diz que “os EUA dizem que o petróleo vai durar por muitos e bons anos”, ele não está a fazer futurologia — está a fazer política energética. E isso explica precisamente porque nunca foi claro sobre o rumo da Galp.
Quem esteve anos à frente de uma petrolífera europeia sabe duas coisas:
que o petróleo não vai desaparecer tão cedo,
que dizer isso em voz alta na Europa custa caro a nível político, ESG e financeiro.
Por isso fala-se em “transição”, “renováveis”, “descarbonização”… mas evita-se sempre a frase proibida:
o mundo vai precisar de petróleo e gás durante décadas.
Esse silêncio estratégico não é inocente. É típico de quem navega entre:
pressão regulatória,
fundos ESG,
e a realidade física do sistema energético.
A Galp da época investiu em renováveis — bem — mas nunca teve coragem de assumir que o seu verdadeiro motor de valor continuaria a ser upstream e refinação. E agora vê-se: Brasil, Namíbia, gás, biofuels, HVO, SAF… tudo gira em torno de hidrocarbonetos, não contra eles.
Submarino em águas turvas, como dizes —
mas o mar da energia é tudo menos transparente.


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Re: Galp - Tópico Geral

por NirSup » 8/1/2026 10:48

Irónico ou Ridículo?
Ou ridiculamente irónico?

Este homem, que já foi durante anos CEO da Galp, deu uma entrevista (podcast) onde afirmou o seguinte:
Os EUA estão a dizer que o petróleo vai durar por muitos e bons anos”
Obviamente que ele não acredita nisso e está a ser irónico.
Mas porque razão não deu a sua opinião sobre o futuro (ou não futuro) do petróleo?
Enquanto CEO da Galp tomou medidas na direção da transição energética para as energias renováveis. Mas nunca foi muito claro sobre qual o rumo que a Galp deveria seguir nesta matéria.
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Re: Galp - Tópico Geral

por J.f.vieira » 8/1/2026 9:55

PC05 Escreveu:
JOINT‑VENTURE GALP + MOEVE (CEPSA)

1. Criação imediata de valor
• Consolidação do downstream ibérico → maior escala, menores custos, margens mais estáveis.
• Galp passa a deter >20% da empresa de refinação e 50% da empresa de distribuição.

2. Eficiência operacional e sinergias
• Otimização logística, compras, armazenamento e supply chain.
• Redução estrutural de OPEX num negócio historicamente de margens baixas.

3. Redução de risco e libertação de capital
• Partilha de risco num setor fóssil em declínio regulatório.
• Capital libertado pode ser redirecionado para HVO, SAF, hidrogénio e renováveis.

4. Valorização estratégica de Sines
• Integração num grupo ibérico maior aumenta relevância industrial.
• Potencial para acelerar conversão para combustíveis sustentáveis.

5. Potencial re-rating da ação
• Aumento de eficiência + menor exposição ao downstream fóssil + foco em negócios premium
→ melhora perceção ESG e reduz risco regulatório.
• Movimento visto como “criador de valor” pela liderança da Galp.


A JV pode transformar o downstream da Galp: mais escala, mais eficiência, menos risco
e mais capital disponível para a transição energética — um catalisador claro de valorização.



................... .................. ..................


Galp + Moeve é, no essencial, correta, mas há um ponto que convém sublinhar: isto não é uma saída do downstream — é uma reengenharia do downstream para o tornar mais valioso e menos volátil.
O downstream ibérico sempre foi um negócio:
intensivo em capital,
com margens cíclicas,
e elevado risco regulatório.
Ao juntá-lo numa plataforma ibérica maior, a Galp:
ganha escala,
dilui risco,
estabiliza margens,
e mantém controlo estratégico (Sines, rede, logística).
Isto é exatamente o que os grandes grupos fazem:
transformar ativos “commodity” em plataformas industriais eficientes.
Quanto ao “libertar capital”:
É importante perceber que não é só cash.
É sobretudo CAPEX futuro que deixa de ser da Galp.
Refinação e retalho vão exigir biliões nos próximos 15 anos para cumprir regras ambientais — agora isso passa a ser partilhado.
O efeito prático é este:
mais free cash flow para upstream (Brasil, Namíbia),
mais capacidade para investir em combustíveis premium (HVO, SAF, biofuels),
e menor volatilidade nos resultados.
Isto casa perfeitamente com Mopane e Bacalhau:
Galp foca-se cada vez mais onde cria mais valor por euro investido — offshore de baixo custo + produtos energéticos premium.
Não é um movimento defensivo.
É um movimento típico de empresa que está a subir na cadeia de valor.

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Re: Galp - Tópico Geral

por PC05 » 8/1/2026 9:15

JOINT‑VENTURE GALP + MOEVE (CEPSA)

1. Criação imediata de valor
• Consolidação do downstream ibérico → maior escala, menores custos, margens mais estáveis.
• Galp passa a deter >20% da empresa de refinação e 50% da empresa de distribuição.

2. Eficiência operacional e sinergias
• Otimização logística, compras, armazenamento e supply chain.
• Redução estrutural de OPEX num negócio historicamente de margens baixas.

3. Redução de risco e libertação de capital
• Partilha de risco num setor fóssil em declínio regulatório.
• Capital libertado pode ser redirecionado para HVO, SAF, hidrogénio e renováveis.

4. Valorização estratégica de Sines
• Integração num grupo ibérico maior aumenta relevância industrial.
• Potencial para acelerar conversão para combustíveis sustentáveis.

5. Potencial re-rating da ação
• Aumento de eficiência + menor exposição ao downstream fóssil + foco em negócios premium
→ melhora perceção ESG e reduz risco regulatório.
• Movimento visto como “criador de valor” pela liderança da Galp.


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Re: Galp - Tópico Geral

por Àlvaro » 8/1/2026 9:10

Se não aproveitar agora que o Dax vai como um tiro aos 26000, a Galp não se livrará dos 14 euros a curto prazo.
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por J.f.vieira » 8/1/2026 9:03

 
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Re: Galp - Tópico Geral

por J.f.vieira » 7/1/2026 23:31

NirSup Escreveu:
J.f.vieira Escreveu:(.....) Estes três fatores criam uma nova camada de procura estrutural que não existia há 10 anos e que torna muito mais difícil um colapso sustentado do preço do petróleo e do gás.
J.f.vieira


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NirSup,

O gráfico que mostras diz apenas que o mercado está nervoso no curto prazo — não diz que o valor da Galp está a cair. São coisas diferentes.
Depois de um choque como Mopane, o que acontece quase sempre é:
ajustamento rápido de expectativas
saída de traders de curto prazo
reposicionamento de fundos
Isso cria volatilidade e quedas técnicas, não destruição de valor.
O que eu disse continua verdadeiro:
o sistema energético mundial tem hoje novas camadas de procura estrutural que não existiam há 10 anos — IA, data centers, rearmamento, reconstrução (Ucrânia, Gaza), gás como energia
de transição. Ao mesmo tempo, o investimento global em upstream continua baixo e os campos maduros declinam.
Portanto, mesmo que a ação ande “verso il basso” durante dias ou semanas, o piso económico do petróleo e do gás é hoje muito mais alto do que no passado. E a Galp, com Brasil, África, refinação forte e agora Mopane com a Total como parceiro, está exatamente do lado certo desse equilíbrio.
Gráficos mexem-se todos os dias.
Reservas, cash-flow e ativos de classe mundial não evaporam porque o mercado está a ajustar stops.

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Re: Galp - Tópico Geral

por NirSup » 7/1/2026 20:28

J.f.vieira Escreveu:(.....) Estes três fatores criam uma nova camada de procura estrutural que não existia há 10 anos e que torna muito mais difícil um colapso sustentado do preço do petróleo e do gás.
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Re: Galp - Tópico Geral

por J.f.vieira » 7/1/2026 17:55

E há ainda três vetores que o mercado continua a subestimar: IA, defesa e reconstrução. A explosão dos data centers, cloud, semicondutores e IA está a provocar um crescimento brutal do consumo elétrico e de combustíveis fósseis indiretos (gás, diesel, fuel, logística, construção de infraestruturas). Ao mesmo tempo, o rearmamento global — EUA, Europa, Médio Oriente e Ásia — implica aço, cimento, transporte pesado, aviação e navios, tudo altamente intensivo em energia fóssil. A isto soma-se a futura reconstrução da Ucrânia e de Gaza, que vai exigir durante décadas enormes volumes de energia, combustíveis, betão, aço e logística pesada. Estes três fatores criam uma nova camada de procura estrutural que não existia há 10 anos e que torna muito mais difícil um colapso sustentado do preço do petróleo e do gás.

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Re: Galp - Tópico Geral

por J.f.vieira » 7/1/2026 17:48

Investor Tuga Escreveu:Boa tarde,
Penso que há que distinguir:
- No médio /longo prazo a cotação do petróleo tende a descer progressivamente, tendo em conta a relação desiquilibrada entre a oferta e a procura (esta muito influenciada pelas novas fontes de energia);
- No curto prazo, pelo menos em 2026, os preços não deve sair do atual contexto, 60/65 usd.
E atenção: está em curso uma "guerra" geopolítica, económica e financeira entre os EUA e a China (e a Rússia, em paralelo).
Na minha opinião há mais riscos de perturbações, conflitos, interrupções no mercado do petróleo do que acréscimos de oferta.
Relembro que a China está ainda muito tranquila, sem reação, a estes claros ataques aos seus interesses na Venezuela e na América do Sul.
Mas vai reagir...não tenhamos dúvidas.

Sobre a cotação da Galp...que ontem subir aos 15,17 € e hoje caiu até 14,45 €...o que dizer?...



................... ................. ......................



Investor Tuga,

Concordo contigo numa parte importante: o petróleo entrou numa fase em que já não cresce como no passado, mas isso não é o mesmo que dizer que vai colapsar. O mercado está a confundir “pico da procura” com “excesso estrutural de oferta” — e são coisas muito diferentes.
No médio/longo prazo, é provável que o consumo nos países desenvolvidos estagne ou até caia. Mas isso é largamente compensado por:
Ásia,
África,
petroquímica,
aviação,
transporte marítimo,
e sobretudo pela enorme inércia do parque automóvel mundial.
Ao mesmo tempo, o lado da oferta está cada vez mais frágil:
O investimento global em upstream ainda está bem abaixo dos níveis de 2013–2014.
Os grandes campos maduros declinam 4–6% ao ano.
Shale só cresce se o preço estiver acima de ~60 USD.
A OPEP+ controla mais de metade da oferta exportável.
Ou seja: mesmo com crescimento baixo da procura, a oferta também está estruturalmente limitada. Isto cria exatamente o tipo de mercado que temos agora: volátil, tenso e com piso firme, não um mercado em colapso.
Quanto à geopolítica, aí concordo totalmente contigo. Venezuela, Mar Vermelho, Ucrânia, Médio Oriente, tensão EUA–China — tudo isto aumenta o risco de disrupções, não de excesso de crude. E a China, como dizes bem, ainda não respondeu. Quando responder, será de forma estratégica, não ruidosa.
Sobre a Galp:
A oscilação entre 15,17€ e 14,45€ não diz nada de estrutural. Isto é fluxo, stops, volatilidade pós-notícia e rotação setorial. O mercado ainda está a digerir Mopane e a nova estrutura de risco/capital.
Mas o essencial mantém-se:
Produção a crescer (Brasil, África),
Refinação forte,
Cash flow elevado mesmo a 60 USD,
E agora um ativo de classe mundial (Mopane) com um major como parceiro.
Num mundo onde a energia volta a ser estratégica, empresas com reservas reais, baixo custo e escala offshore vão valer cada vez mais. A Galp está exatamente nesse grupo.


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Re: Galp - Tópico Geral

por PMP69 » 7/1/2026 15:59

A Venezuela representa 1% da produção mundial, as insfraestruras estão obsoletas e a extração é caríssima (85% das reservas são de petróleo pesado).

A Venezuela deve à China 10 bilhões de dólares, que estavam a ser pagos com petróleo.

Pedro
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Re: Galp - Tópico Geral

por Investor Tuga » 7/1/2026 15:30

Boa tarde,
Penso que há que distinguir:
- No médio /longo prazo a cotação do petróleo tende a descer progressivamente, tendo em conta a relação desiquilibrada entre a oferta e a procura (esta muito influenciada pelas novas fontes de energia);
- No curto prazo, pelo menos em 2026, os preços não deve sair do atual contexto, 60/65 usd.
E atenção: está em curso uma "guerra" geopolítica, económica e financeira entre os EUA e a China (e a Rússia, em paralelo).
Na minha opinião há mais riscos de perturbações, conflitos, interrupções no mercado do petróleo do que acréscimos de oferta.
Relembro que a China está ainda muito tranquila, sem reação, a estes claros ataques aos seus interesses na Venezuela e na América do Sul.
Mas vai reagir...não tenhamos dúvidas.

Sobre a cotação da Galp...que ontem subir aos 15,17 € e hoje caiu até 14,45 €...o que dizer?...
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por J.f.vieira » 5/1/2026 19:56

yaya Escreveu:Basicamente, e resumindo o histórico dos acontecimentos, algumas empresas petrolíferas americanas tinham contratos para extração de petróleo na Venezuela. Contratos esses que foram revogados no tempo de Chavez, ou seja nacionalizou os poços e as petrolíferas americanas ficaram a arder com o dinheiro que lá investiram.

Daí o argumento "they stole oil from us". Se é legal ou não invadir um país por causa da nacionalização dos poços, acho que não, mas como não têm armas nucleares são um alvo fácil. Também se fala que isto é uma forma de retribuir os milhões que as petrolíferas americanas financiaram durante a campanha de Trump.

Interessa a Trump baixar o preço do petróleo para controlar a inflação e continuar a baixar as taxas de juro da FED. O problema é chegar a um preço que deixa de ser viável às petrolíferas a extração do petróleo. Mais ainda que, apesar da Venezuela ter as maiores reservas de petróleo do mundo, o petróleo Venezuelano é pesado e exige bastante refinação e equipamento para perfuração a altas profundidades. As petrolíferas americanas terão de investir bastante dinheiro para desenvolver as infraestruturas necessárias que garantam a viabilidade da operação. E terão de ter garantias de segurança para não voltar a acontecer nova nacionalização.

Mas também há outro aspeto, a Venezuela andava a vender crude em moeda que não o dólar para contornar sanções dos EUA.
Vai ser mau para países como a China que compravam petróleo barato à Venezuela em yenes.
Também se fala que isto vai ser mau para a Rússia.
Dito isto, com a queda do consumo de petróleo, o crescimento de VE, a abundância de petróleo, e agora a tomada de poços na Venezuela pelos USA, julgo que a tendência no crude será de queda.



................ .................... ....................



yaya,

O teu enquadramento histórico da Venezuela está correto em vários pontos, mas a conclusão de que isto leva inevitavelmente a crude estruturalmente mais barato parece-me um salto demasiado grande.
Primeiro:
Mesmo que os EUA recuperassem influência operacional sobre campos venezuelanos, isso não cria petróleo novo no mercado de forma rápida. A Venezuela produz hoje ~700 kbpd, quando já produziu mais de 3 mbpd. Para voltar sequer a 2 mbpd seriam necessários 5–7 anos e dezenas de milhares de milhões em capex, porque o petróleo é pesado, os reservatórios estão degradados e a infraestrutura foi destruída. Isto não é shale, é engenharia pesada, upgrader plants, diluição, pipelines e terminais. Ou seja:
não há choque de oferta no curto nem médio prazo.
Segundo:
O petróleo pesado venezuelano não substitui Brent ou WTI. Precisa de refinarias específicas (Golfo do México) e diluentes. Isso cria um mercado segmentado, não um colapso global de preços.
Terceiro:
O argumento do “Trump quer petróleo barato” ignora a restrição fundamental:
A indústria shale dos EUA colapsa abaixo de ~60 USD. Se o crude cair muito, a produção americana cai automaticamente, e o mercado reequilibra. É por isso que desde 2016 o petróleo vive dentro de uma banda — há um floor económico, não político.
Quarto:
O tema geopolítico (China, Rússia, moeda) é relevante, mas não muda o facto central:
A OPEP+ continua a controlar mais de 50% da oferta exportável e ajusta produção para defender preços. A Venezuela, mesmo “recuperada”, estaria sob esse chapéu.
Quinto:
EVs e transição energética reduzem crescimento, não criam colapso.
A procura global ainda cresce 1–1,5 mbpd/ano fora OCDE. A queda de capex upstream desde 2015 criou um défice estrutural de oferta futura. Isso é exatamente o que torna descobertas como Mopane, Bacalhau, Guyana, etc., tão valiosas.
Conclusão:
A Venezuela pode voltar a ser relevante, mas como processo de uma década, não como choque deflacionista do crude. O petróleo barato que destrói o sector é um mito político — o mercado não o permite.
E para empresas como a Galp, com produção offshore de baixo custo, ativos em Brasil e Namíbia, e refinação integrada, um crude a 60–70 USD continua a ser extremamente rentável.
Não é um cenário de colapso — é um cenário de rotação geopolítica dentro de um mercado estruturalmente apertado.

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Re: Galp - Tópico Geral

por yaya » 5/1/2026 16:43

Basicamente, e resumindo o histórico dos acontecimentos, algumas empresas petrolíferas americanas tinham contratos para extração de petróleo na Venezuela. Contratos esses que foram revogados no tempo de Chavez, ou seja nacionalizou os poços e as petrolíferas americanas ficaram a arder com o dinheiro que lá investiram.

Daí o argumento "they stole oil from us". Se é legal ou não invadir um país por causa da nacionalização dos poços, acho que não, mas como não têm armas nucleares são um alvo fácil. Também se fala que isto é uma forma de retribuir os milhões que as petrolíferas americanas financiaram durante a campanha de Trump.

Interessa a Trump baixar o preço do petróleo para controlar a inflação e continuar a baixar as taxas de juro da FED. O problema é chegar a um preço que deixa de ser viável às petrolíferas a extração do petróleo. Mais ainda que, apesar da Venezuela ter as maiores reservas de petróleo do mundo, o petróleo Venezuelano é pesado e exige bastante refinação e equipamento para perfuração a altas profundidades. As petrolíferas americanas terão de investir bastante dinheiro para desenvolver as infraestruturas necessárias que garantam a viabilidade da operação. E terão de ter garantias de segurança para não voltar a acontecer nova nacionalização.

Mas também há outro aspeto, a Venezuela andava a vender crude em moeda que não o dólar para contornar sanções dos EUA.
Vai ser mau para países como a China que compravam petróleo barato à Venezuela em yenes.
Também se fala que isto vai ser mau para a Rússia.
Dito isto, com a queda do consumo de petróleo, o crescimento de VE, a abundância de petróleo, e agora a tomada de poços na Venezuela pelos USA, julgo que a tendência no crude será de queda.
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Re: Galp - Tópico Geral

por peterteam2 » 5/1/2026 14:53

Alguém com interesses importantes na GALP fez um esforço para fazer passar a ideia que o negócio da Namibia foi mau, aproveitou para fazer despencar a cotação e agora está tranquilamente a recomprar as acções que vendeu a um preço bastante mais baixo.

O negócio da Namibia pode ter sido frustrante para alguém que estava à espera de uma venda com entrada de cash imediato que gerasse um dividendo extraordinário ou algo parecido.

Para alguém que acredita no negócio a longo prazo foi um bom negócio. Assegura condições para investir nas condições de produção e uma parceria sólida para explorar as reservas no futuro.

A prazo a cotação vai recuperar e voltar a máximos.
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por Investor Tuga » 5/1/2026 13:48

trend=friend Escreveu:
Investor Tuga Escreveu:
trend=friend Escreveu:Desenvolvimentos muito bearish para o petróleo (Venezuela e Irão).

Se havia oversupply, nem imagino como possa ser daqui a 6 meses. Não será fácil a Galp subir neste ambiente…


Trend, esse eventual aumento da oferta devido a esta intervenção na Venezuela vai demorar anos...se é que vai acontecer...
Por outro lado, a Repsol em espanha subiu 3% na sexta feira passada...e hoje já está a subir mais de 2%...
Porquê é que a Galp não sobe, quando ainda hoje o Santander fez um upgrade de preço alvo de 17 € para 17,50 €?


Não se deve ligar grande coisa a price targets, basta ver os que sairam depois da venda à Total… são totalmente reativos, portanto quem se apega a eles anda sempre atrás dos movimentos. Este de hoje pelo menos é mais honesto, ainda que valha 3% de aumento.

Quanto ao aumento da oferta, parece-me inevitável, os EUA vão ser inundados de petróleo barato (e já havia alegadamente oversupply). Para além da pressão que fazem sobre a Arábia Saudita / OPEP para não reduzirem o output para não afetar a sua economia. O mercado antecipa sempre os movimentos, mesmo que só comece a pingar daqui a uns meses. Anos? Nem pensar, já têm um executivo da Chevron venezuelano falado para presidente se esta não se portar bem. Goste-se ou não, não há o conceito de “anos” para o Trump. E se se juntar o Irão como tudo indica, acho que pode ocorrer mesmo um crash durante 2026.

Portanto, apesar de gostar da operação e do gráfico da Galp, como fui aqui dizendo nas últimas semanas, se as circunstâncias mudam, mesmo que num fim de semana, não se deve mudar?

PS tal como se alguns grandes países produtores tiverem uma disrupção nos próximos tempos, volto a ponderar. Inflexibilidade é que não.



A questão dos "anos" tem a ver com o tempo que é necessário para as petroliferas americanas, se realmente tiverem condições de segurança para explorar na venezuela, começarem a extrair petroleo e a colocá-lo no mercado. As infraestruturas atuais são antigas e inapropriadas, qualquer investimento vai demorar anos a conseguir ser instalado e a gerar produção com regularidade...é o que dizem todos os especialistas.

Por outro lado, a evolução recente da Galp não tem a ver apenas com o preço do petróleo, se assim fosse, a Repsol teria movimentos semelhantes. Ora, a Repsol está a subir quase 6% nos últimos 2 dias...quando o preço do barril está estabilizado nos 60/61 usd.

Acredito que ainda são reflexos da operação de venda na namibia e que continua a ter efeitos sobre a cotação da Galp.
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por trend=friend » 5/1/2026 12:20

Investor Tuga Escreveu:
trend=friend Escreveu:Desenvolvimentos muito bearish para o petróleo (Venezuela e Irão).

Se havia oversupply, nem imagino como possa ser daqui a 6 meses. Não será fácil a Galp subir neste ambiente…


Trend, esse eventual aumento da oferta devido a esta intervenção na Venezuela vai demorar anos...se é que vai acontecer...
Por outro lado, a Repsol em espanha subiu 3% na sexta feira passada...e hoje já está a subir mais de 2%...
Porquê é que a Galp não sobe, quando ainda hoje o Santander fez um upgrade de preço alvo de 17 € para 17,50 €?


Não se deve ligar grande coisa a price targets, basta ver os que sairam depois da venda à Total… são totalmente reativos, portanto quem se apega a eles anda sempre atrás dos movimentos. Este de hoje pelo menos é mais honesto, ainda que valha 3% de aumento.

Quanto ao aumento da oferta, parece-me inevitável, os EUA vão ser inundados de petróleo barato (e já havia alegadamente oversupply). Para além da pressão que fazem sobre a Arábia Saudita / OPEP para não reduzirem o output para não afetar a sua economia. O mercado antecipa sempre os movimentos, mesmo que só comece a pingar daqui a uns meses. Anos? Nem pensar, já têm um executivo da Chevron venezuelano falado para presidente se esta não se portar bem. Goste-se ou não, não há o conceito de “anos” para o Trump. E se se juntar o Irão como tudo indica, acho que pode ocorrer mesmo um crash durante 2026.

Portanto, apesar de gostar da operação e do gráfico da Galp, como fui aqui dizendo nas últimas semanas, se as circunstâncias mudam, mesmo que num fim de semana, não se deve mudar?

PS tal como se alguns grandes países produtores tiverem uma disrupção nos próximos tempos, volto a ponderar. Inflexibilidade é que não.
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Re: Galp - Tópico Geral

por Investor Tuga » 5/1/2026 11:17

trend=friend Escreveu:Desenvolvimentos muito bearish para o petróleo (Venezuela e Irão).

Se havia oversupply, nem imagino como possa ser daqui a 6 meses. Não será fácil a Galp subir neste ambiente…


Trend, esse eventual aumento da oferta devido a esta intervenção na Venezuela vai demorar anos...se é que vai acontecer...
Por outro lado, a Repsol em espanha subiu 3% na sexta feira passada...e hoje já está a subir mais de 2%...
Porquê é que a Galp não sobe, quando ainda hoje o Santander fez um upgrade de preço alvo de 17 € para 17,50 €?
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por SalvaFP » 5/1/2026 10:16

o petroleo deve continuar pressionado..para 2026 a Galp não terá grandes motivos para sorrir..
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por trend=friend » 5/1/2026 9:39

Desenvolvimentos muito bearish para o petróleo (Venezuela e Irão).

Se havia oversupply, nem imagino como possa ser daqui a 6 meses. Não será fácil a Galp subir neste ambiente…
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Re: Galp - Tópico Geral

por JUKIMSUNG » 2/1/2026 13:23

Resultados Record e dividendo a subir é o que se espera para o início de de 2026.

Penso que os 16€ vão ser calmamente alcançados antes da divulgação dos resultados de 2025.
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por Investor Tuga » 2/1/2026 9:18

Bom dia e bom ano a todos,
Será que os investidores já estão também a posicionar-se para a publicação dos resultados do 4 trim e do ano de 2025…que se forem em linha com os trimestres anteriores vão bater recordes novamente?
 
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Re: Galp - Tópico Geral

por trend=friend » 31/12/2025 14:57

Aproximou-se no fecho da zona dos 14,75 para ter maior correlação com os quase 4 dólares que o petróleo já subiu.

Penso que mais subidas só se o petróleo passar os 59 dólares ativando um cup and handle que pode ir aos 63 dólares.

Continuo a apontar para um target de 15,70s neste movimento (retracement máximo intraday da grande vela de queda), bastará esse cup and handle no petróleo.
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Re: Galp - Tópico Geral

por PC05 » 29/12/2025 22:20

Venezuela started shutting wells in a region that holds the world’s largest deposits of oil in the face of a blockade by the Trump administration meant to financially squeeze the nation.


https://www.bloomberg.com/news/articles ... ce=twitter
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