2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Está na altura da legalização e comercialização das drogas leves e algumas intermédias por parte dos Estados. Principalmente as que podem ser plantadas e controladas.
Acaba-se com grande parte do narcotráfico, das guerras de gangues e são os estados que ganham os milhares de milhões que rendem por ano.
Sei que é um tema controverso mas poderia ajudar a economia e reduzir as dívidas a muitos países.
Acaba-se com grande parte do narcotráfico, das guerras de gangues e são os estados que ganham os milhares de milhões que rendem por ano.
Sei que é um tema controverso mas poderia ajudar a economia e reduzir as dívidas a muitos países.
Um abraço e bons negócios.
Artur Cintra
Artur Cintra
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Já agora gráfico do DAX.
Na crise das .Com o índice ainda resistiu mais dois anos a um topo do RSI mas a divergência acabou por o arrastar a um bear market longo e devastador.
No subprime a queda foi imediata.
É um bocado minimalista estar a usar quase exclusivamente o RSI, mas é o indicador de excelência para ver o efeito bolha.
Na crise das .Com o índice ainda resistiu mais dois anos a um topo do RSI mas a divergência acabou por o arrastar a um bear market longo e devastador.
No subprime a queda foi imediata.
É um bocado minimalista estar a usar quase exclusivamente o RSI, mas é o indicador de excelência para ver o efeito bolha.
“It is not the strongest of the species that survives, nor the most intelligent, but rather the one most adaptable to change.”
― Leon C. Megginson
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
djovarius Escreveu:Como vimos nos últimos anos, a instabilidade geo-política não impede a continuação da chamada "everything bubble".
Haja liquidez, o que é meio caminho andado para os touros de ouro.
Eu acredito que o mercado é análogo a um sistema em que quando há acumular de tensões inevitavelmente acaba por quebrar.
Lembro-me que até mesmo a Apple teve alguns bear markets com quebra de quase 50% (basta olhar para 2025).
O IBEX está a rebentar pelas costuras no RSI mensal. Dificilmente se escapa de uma correcção com alguma amplitude.
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― Leon C. Megginson
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
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As minhas desculpas .
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Por favor, há um tópico sobre a crise na Venezuela

Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
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Editado pela última vez por Opcard33 em 5/1/2026 13:49, num total de 1 vez.
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Como vimos nos últimos anos, a instabilidade geo-política não impede a continuação da chamada "everything bubble".
Haja liquidez, o que é meio caminho andado para os touros de ouro.
Haja liquidez, o que é meio caminho andado para os touros de ouro.
Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Opcard33 Escreveu:O problema o mundo será estruturalmente mais caro vamos ter economias de guerra que são inimigas dos estado social é aqui que a Europa vai sofrer.
Resta saber qual será o papel da Europa , eu na minha vida como posso tirar partido desta nova realidade nos mercados.
Menos estado social -> mais liberdade para quem trabalha -> mais mãos para trabalhar e menos bocas para alimentar -> crescimento económico real.
Mas a transição na Europa não vai ser linear e provavelmente só vai lá com crises.
Investimento na realidade 2T 2026
IBEX 35 Short X10 (IBEXGX)
PS: digo 2T por ter alguma referencia mas assim que veja uma vela mensal interessante e quebra de suporte vai levar com "el estoque".
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― Leon C. Megginson
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
E qual é a Verdade?
By Nirvana
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Passei o fim de semana a reflectir qual vai ser o impacto nos mercados que que devo fazer porque hora da verdade chegou.
O mundo mudou e os acontecimentos no Venezuela faz num novo ordenamento político e económico global, com efeitos profundos nos mercados, no comércio e na inflação.
O tempo já não é dos pequenos é o tempo dos grandes blocos de poder.
O mundo organiza-se agora em zonas de influência, dominadas por Estados Unidos, China e Rússia, onde os interesses estratégicos se sobrepõem às regras e às instituições internacionais, hoje fragilizadas.
O direito internacional tornou-se flexível e seletivo os grandes vão ditar a lei .
Vivemos um novo Yalta, um mundo mais instável, menos previsível.
O problema o mundo será estruturalmente mais caro vamos ter economias de guerra que são inimigas dos estado social é aqui que a Europa vai sofrer.
Resta saber qual será o papel da Europa , eu na minha vida como posso tirar partido desta nova realidade nos mercados.
O mundo mudou e os acontecimentos no Venezuela faz num novo ordenamento político e económico global, com efeitos profundos nos mercados, no comércio e na inflação.
O tempo já não é dos pequenos é o tempo dos grandes blocos de poder.
O mundo organiza-se agora em zonas de influência, dominadas por Estados Unidos, China e Rússia, onde os interesses estratégicos se sobrepõem às regras e às instituições internacionais, hoje fragilizadas.
O direito internacional tornou-se flexível e seletivo os grandes vão ditar a lei .
Vivemos um novo Yalta, um mundo mais instável, menos previsível.
O problema o mundo será estruturalmente mais caro vamos ter economias de guerra que são inimigas dos estado social é aqui que a Europa vai sofrer.
Resta saber qual será o papel da Europa , eu na minha vida como posso tirar partido desta nova realidade nos mercados.
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Gostei bastante do teu texto.
Ao inicio pensei nem ler pois era gigante... mas arrisquei e sim gostei. Concordo com quase tudo.
Mas... sei que não queres trazer o assunto da Venezuela para aqui e respeito isso mas na minha opinião o que aconteceu este fim de semana creio que é o inicio de uma grande crise.
E agora sim uma das grandes e que vai explodir com a anexação da Gronelândia pelo verdadeiro ddt.
Ao inicio pensei nem ler pois era gigante... mas arrisquei e sim gostei. Concordo com quase tudo.
Mas... sei que não queres trazer o assunto da Venezuela para aqui e respeito isso mas na minha opinião o que aconteceu este fim de semana creio que é o inicio de uma grande crise.
E agora sim uma das grandes e que vai explodir com a anexação da Gronelândia pelo verdadeiro ddt.
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Boas,
O objetivo deste tópico não era falar da crise na Venezuela, por isso peço à Admin para mudar as intervenções sobre esse assunto para o tópico próprio.
Só para não misturar assuntos, embora, sim, esta crise seja já um dos episódios de instabiidade que vamos ter, a exemplo da que já existe.
É a terceira década do século, não há volta a dar.
Mas vamos sobreviver a isto tudo, não tenham dúvidas
O ano a sério dos mercados é já daqui a umas horas !!
Abraço
dj
O objetivo deste tópico não era falar da crise na Venezuela, por isso peço à Admin para mudar as intervenções sobre esse assunto para o tópico próprio.
Só para não misturar assuntos, embora, sim, esta crise seja já um dos episódios de instabiidade que vamos ter, a exemplo da que já existe.
É a terceira década do século, não há volta a dar.
Mas vamos sobreviver a isto tudo, não tenham dúvidas
O ano a sério dos mercados é já daqui a umas horas !!
Abraço
dj
Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
O Crude Oil em ligeira queda
By Nirvana
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
O preço do petróleo é os juros serão indicadores maiores para 26 .
O petróleo pode ir a preços impensáveis a água será um bens escasso em comparação com o petróleo .
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o solo venezuelano continha aproximadamente 303 mil milhões de barris de petróleo em 2023, representando cerca de 17% das reservas globais.
Isto na mão de americanos pode chegar aos 10 milhões de barril dia .
O petróleo pode ir a preços impensáveis a água será um bens escasso em comparação com o petróleo .
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o solo venezuelano continha aproximadamente 303 mil milhões de barris de petróleo em 2023, representando cerca de 17% das reservas globais.
Isto na mão de americanos pode chegar aos 10 milhões de barril dia .
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
djovarius Escreveu:Como se pode ler acima, estes períodos de instabilidade, ao longo da década, não impediram aquilo que alguns chamam a "bolha de tudo".
Nada impede valorizações, exceto se não houver liquidez. Essa é uma das mensagens fortes dos mercados ao longo destes anos.
Por exemplo, a situação de hoje nas Américas: olhando para os ativos que têm negócios ao fim de semana, temos o Bitcoin e o ETH bastante estáveis, até estão a ganhar, enquanto o Forex (sim há pares abertos no fim de semana, embora sem liquidez que se veja) está estável, o USD/JPY e o EUR/USD estão em linha com o fecho oficial de ontem. Só é pena não haver maneira de se ver a reação do petróleo, pelo que teremos de esperar por amanhã.
Para já, isto é apenas mais um foco de instabilidade entre outros, mas os mercados, até ver, estão vacinados para isto.
Abraço
dj
Consegues ver o petróleo no oil weekend da IG, sobe 1,5%.
Contudo, parece-me que a inundação de petróleo será inevitável a médio prazo. Se já havia oversupply, então agora com a Venezuela a bombar à séria... O próprio Trump referiu isso, que vai ser barato como nunca.
If you want a guarantee, buy a toaster.
Clint Eastwood
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
E a hora da verdade é....
1. A saída da Venezuela (com as maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo) da OPEP.
2. O cancelamento ou substituição das empresas russas e chinesas que exploram o petróleo venezuelano por empresas americanas.
3. Mega investimentos na indústria da extração de petróleo na Venezuela por parte de empresas americanas.
4. Super produção de petróleo fora do controlo da OPEP.
5. Por fim, uma queda generalizada do preço do petróleo com a perda de influência (e poder geoestratégico) dos países árabes e da Rússia.
By Nirvana
1. A saída da Venezuela (com as maiores reservas de petróleo conhecidas do mundo) da OPEP.
2. O cancelamento ou substituição das empresas russas e chinesas que exploram o petróleo venezuelano por empresas americanas.
3. Mega investimentos na indústria da extração de petróleo na Venezuela por parte de empresas americanas.
4. Super produção de petróleo fora do controlo da OPEP.
5. Por fim, uma queda generalizada do preço do petróleo com a perda de influência (e poder geoestratégico) dos países árabes e da Rússia.
By Nirvana
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Como se pode ler acima, estes períodos de instabilidade, ao longo da década, não impediram aquilo que alguns chamam a "bolha de tudo".
Nada impede valorizações, exceto se não houver liquidez. Essa é uma das mensagens fortes dos mercados ao longo destes anos.
Por exemplo, a situação de hoje nas Américas: olhando para os ativos que têm negócios ao fim de semana, temos o Bitcoin e o ETH bastante estáveis, até estão a ganhar, enquanto o Forex (sim há pares abertos no fim de semana, embora sem liquidez que se veja) está estável, o USD/JPY e o EUR/USD estão em linha com o fecho oficial de ontem. Só é pena não haver maneira de se ver a reação do petróleo, pelo que teremos de esperar por amanhã.
Para já, isto é apenas mais um foco de instabilidade entre outros, mas os mercados, até ver, estão vacinados para isto.
Abraço
dj
Nada impede valorizações, exceto se não houver liquidez. Essa é uma das mensagens fortes dos mercados ao longo destes anos.
Por exemplo, a situação de hoje nas Américas: olhando para os ativos que têm negócios ao fim de semana, temos o Bitcoin e o ETH bastante estáveis, até estão a ganhar, enquanto o Forex (sim há pares abertos no fim de semana, embora sem liquidez que se veja) está estável, o USD/JPY e o EUR/USD estão em linha com o fecho oficial de ontem. Só é pena não haver maneira de se ver a reação do petróleo, pelo que teremos de esperar por amanhã.
Para já, isto é apenas mais um foco de instabilidade entre outros, mas os mercados, até ver, estão vacinados para isto.
Abraço
dj
Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
djovarius Escreveu:Não gosto do Roubini.
Mas parece que a instabilidade anunciada começou cedo. Agora temos a Venezuela![]()
dj
Boas
Acho que o que esta a acontecer na Venezuela, é um catalisador positivo para a economia mundial.
Podia dar ao Trump, para fazer o mesmo na Rússia, as justificações seriam as mesmas.
cumprimentos
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Não gosto do Roubini.
Mas parece que a instabilidade anunciada começou cedo. Agora temos a Venezuela
dj
Mas parece que a instabilidade anunciada começou cedo. Agora temos a Venezuela
dj
Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Nouriel Roubini: o Profeta da Desgraça.
Acertou uma vez. Foi coroado e colocado num pedestal.
Quantos anos, meses e dias desacertou? Desacertou 20 anos (2004 a 2007 e de 2009 a 2025).
São 20 anos, 240 meses e 87.600 dias.
Alguém o crucificou ou apedrejou na praça pública por isso? Não, ninguém quer saber.
Quanto deixou de ganhar (ele e os seus seguidores)?
By Nirvana
Acertou uma vez. Foi coroado e colocado num pedestal.
Quantos anos, meses e dias desacertou? Desacertou 20 anos (2004 a 2007 e de 2009 a 2025).
São 20 anos, 240 meses e 87.600 dias.
Alguém o crucificou ou apedrejou na praça pública por isso? Não, ninguém quer saber.
Quanto deixou de ganhar (ele e os seus seguidores)?
By Nirvana
It’s easy to make money in the stock market. What’s hard is choosing the winning horse. And only he wins the prize
Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Gostei da tua análise , é da tua perspectiva dos mercados , já há muitos anos acompanho este forum desde dos tempos do Ulisses , creio que desde 1987 , havia outro forum o Think Finance que desapareceu, e o incógnitos ( dono da plataforma ) segundo as últimas informações está viver na Sibéria ...
Antigamente as tuas análises eram mais direcionadas para o forex .
Concordo , que de fato o grande perigo, é os investidores se abstiverem de comprarem dívidas soberanas de alguns países .
O risco está aí , tivemos em 1997 e 1998 as crises da Tailândia e da Rússia .
Numa das crises a bolsa de Lisboa encerrou às 12:00 porque o mercado estava a cair 15% , e as profundidades dos títulos não tinham compradores , algo dantesco .
Atualmente temos uma bolha gigantesca no setor imobiliário , em que existe muita alavancagem .
Quando o Nikkey atingiu os 40.000 em 1991 passados uns anos aterrou nos 7.000 , e os preço dos imóveis caíram para um quarto do valor .
Antigamente as tuas análises eram mais direcionadas para o forex .
Concordo , que de fato o grande perigo, é os investidores se abstiverem de comprarem dívidas soberanas de alguns países .
O risco está aí , tivemos em 1997 e 1998 as crises da Tailândia e da Rússia .
Numa das crises a bolsa de Lisboa encerrou às 12:00 porque o mercado estava a cair 15% , e as profundidades dos títulos não tinham compradores , algo dantesco .
Atualmente temos uma bolha gigantesca no setor imobiliário , em que existe muita alavancagem .
Quando o Nikkey atingiu os 40.000 em 1991 passados uns anos aterrou nos 7.000 , e os preço dos imóveis caíram para um quarto do valor .
Editado pela última vez por Sertorio em 3/1/2026 16:10, num total de 1 vez.
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Normalmente não deveria responder a intervenções com um leve sabor a insultuoso, mas sempre tive estômago ao longo de 25 anos ou mais neste tipo de espaços para pior, portanto vou responder.
A ideia é de que a instabilidade passou a ser parte do dia a dia. Isso vai se refletir em mais momentos de forte volatilidade sem que isso possa significar necessariamente uma espécie de "fim do mundo".
Estamos a chegar, todavia, a momentos (talvez ainda nesta década) em que muitas das questões complicadas dos últimos tempos vão nos rebentar nas mãos. A questão das dívidas, amplamente ignorada, pode ser um gatilho para uma espécie de "reset". Não será a única, mas é um dos melhores exemplos.
Obrigado pela crítica!!
A ideia é de que a instabilidade passou a ser parte do dia a dia. Isso vai se refletir em mais momentos de forte volatilidade sem que isso possa significar necessariamente uma espécie de "fim do mundo".
Estamos a chegar, todavia, a momentos (talvez ainda nesta década) em que muitas das questões complicadas dos últimos tempos vão nos rebentar nas mãos. A questão das dívidas, amplamente ignorada, pode ser um gatilho para uma espécie de "reset". Não será a única, mas é um dos melhores exemplos.
Obrigado pela crítica!!
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Re: 2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
(mais gráficos)
- Anexos
-
- O EUR/USD cumpriu bem o efeito Janeiro, foi por esses tempos que esteve em mínimos do ano, perto da paridade. Daí só subidas até perto do fim do ano, ao ponto de que este poderá ter sido o ponto de viragem do par após um longo "bear". 2026 poderá confirmar ou negar essa mudança.
- EUUS.png (56.04 KiB) Visualizado 3316 vezes
-
- Este par quase entrou em bear market mas recuperou tudo o que perdeu ao longo do ano, ao ponto de voltar perto de máximos de sempre. Deverá conhecer a mesma ou maior volatilidade.
- USJPY.png (59.47 KiB) Visualizado 3316 vezes
-
- O ouro merece um gráfico de 10 anos para que se veja como um "bull" saudável se transformou, nos últimos dois anos, num avançp para a estratosfera. Iremos falar de bolha ou isto ainda vai à Lua?
- Gold.png (53.02 KiB) Visualizado 3316 vezes
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- Um gráfico de cinco anos que mostra o desastre covid no petróleo, o susto da guerra na Ucrânia e quedas muito fortes que se seguiram ao ponto da cotação parecer perto do descalabro... será que vai?
- Oil.png (54.28 KiB) Visualizado 3316 vezes
-
- O índice total das matérias primas ganhou terreno, não liderado pelo petróleo, que muito caiu, mas pelos metais. Ouro, prata, platina, paládio, etc... lideraram, enquanto energias e agrícolas já cediam terreno...
- DJ Commodities.png (49.39 KiB) Visualizado 3316 vezes
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2026 – aproxima-se a hora da verdade!!
Os anos passam rapidamente e a História segue. Os antigos diziam por graça que a História é uma sucessão de sucessos que se sucedem sucessivamente sem cessar.
Quando olhámos para os doze meses que agora passaram, foi mais uma vez assim, com apagões e furacões, fenómenos naturais ou outros, mas sempre, sempre com a mesma incerteza no campo geo-político a que uns chamam Segunda Guerra Fria, outros chamam realinhamento estratégico global, outros ainda, enfim, consideram ser desglobalização. Seja o que for, ainda sustento que nada nos deve surpreender. Há seis anos, à beira desta década, ainda sem epidemias e encerramento das Economias, falava eu sobre como as décadas de “vinte” marcavam os futuros eventos do século. Foi assim nas anteriores, parece ser assim hoje em dia.
É tempo de transformação, de novos saltos tecnológicos, de dúvidas sobre o que parecia ser certo e lógico. Já compreendemos que a transição energética não pode ser ao ritmo que se previa (a indústria alemã que o diga), entendemos que os conflitos bélicos continuam ao rubro ou a levantar mais dúvidas do que certezas, percebe-se que há muita confusão na política e que somos, hoje, muito pouco consensuais.
Mas, há sempre um mas… se há tantas incertezas, porque é que os mercados continuam a operar em modo “la la land”?
Há dois anos, eu acreditava numa correção dos mercados, mas tal não ocorreu, pelo menos, ao ponto de mudar o rumo dos mesmos. No ano passado por esta altura eu já antevia uma desconexão entre vários mercados, algo que aconteceu mesmo, embora de uma forma parcial. Mesmo assim, é certo que alguns mercados ganharam bem mais do que outros. Poucos perderam, a maioria ganhou e nem tudo é IA ao contrário do que se possa pensar. Longe disso, aliás.
Quem está mesmo atento vê ganhos em muitos setores. Há dois anos, em Janeiro, falava-se pela primeira vez em muito tempo de “bolha”, a qual se resumia a algumas tecnológicas do Nasdaq, nomeadamente do setor dos “chips”, mas, entretanto, verificámos uma correção. No ano que chegou agora ao fim voltámos a falar de “bolhas” em vários setores, com destaque para a IA (nem as fortes quedas de Março impediram as valorizações que se seguiram ou mudaram o ambiente de festa), claro, que mais poderia ser. Neste caso particular, não é só Wall Street. Cada vez mais existe capital (várias formas de financiamento) fora das Bolsas a entrar em ritmo de risco alavancado em empresas de duvidosa viabilidade. Todavia, a questão é bem mais complexa como veremos daqui a pouco.
A grande realidade é que não há só capital a entrar em IA ou “chips” de elevado desempenho. É mais complexo do que o ambiente “Telecom” ou “dot.com” de há 25 anos atrás. Ao logo dos últimos tempos cada vez mais vozes se tornaram sonantes em relação ao que se convencionou chamar “a bolha de tudo” (everything bubble). De facto, não é só o imobiliário que está em modo especulativo em inúmeros mercados (com mais ou menos volume de construção), mas também os mercados mobiliários, sendo que há títulos de toda a sorte com enorme procura.
No mercado acionista, não é só o Nasdaq e os seus “chips”, mas também o DJIA e a sua “velha” economia ou até as empresas de menor volume, as chamadas “small caps” que têm visto uma grande procura. Isto para não falar de fortes investimentos fora do contexto de Bolsa. Há capital de risco (ou até mais convencional) à procura de financiar tudo o que mexe, com o destaque para a IA e seus sucedâneos. O mesmo se aplica ao velho continente, em que até aquilo que parecia “morto”, renasceu das cinzas, como o PSI, embora o melhor exemplo esteja logo aqui do outro lado da fronteira. Como vimos, há enormes valorizações que se estendem da América do Sul à Ásia. Apesar das perdas, vimos os criptoativos a subir loucamente durante muito tempo à medida que os “institucionais” (tubarões) decidiram ir a jogo. Como se isto não bastasse, que dizer das fortes valorizações de ouro, prata, cobre e tantos outros ativos? De uma forma simplista poder-se-ia dizer que o dinheiro dos criptoativos voou para ativos mais “antiquados”. Não devemos ir só por aí. Há investidores “clássicos” a reforçar nos metais preciosos e também em muitas outras “commodities”.
E os mercados de dívida? Já não há a procura que assistimos no passado, mas isso nada mais é do que a desconfiança em relação aos preços (produtor e consumidor) que temem em não crescer pouco como ocorria na década passada, mas também em relação às tensões geo-políticas, que podem levar a um aumento da despesa e, por conseguinte, dos défices. Seria muito redutor falar de dívida, mencionando apenas as dívidas públicas. Não nos podemos esquecer das restantes, sendo que o endividamento público global ascende a mais de 110 biliões de dólares, mas a dívida total (Estado, empresas, cidadãos) já passa dos 340 biliões de dólares, algo em torno de 320% do PIB global. Podemos falar do regresso em força ao “shadow banking system”, podemos falar do que quisermos. Mas a grande realidade é que a grande bolha reside no volume das diversas dívidas. O fenómeno da extrema liquidez, ampliado por crises desde os anos noventa, chegou a valores assombrosos na sequência de 2008 (sub-prime) e, sobretudo, na reação à crise “corona” a partir do ano 2000. Para os “especialistas” que afirmavam que a liquidez não se refletiria nos preços ao consumidor, como na década anterior, eis que a realidade dura e crua veio ao de cima. Com os apoios Estatais generalizados, finalmente a liquidez sem correspondência com a atividade económica, acabaria por elevar os preços a níveis a que as sociedades já não estavam acostumadas. A reação dos Bancos Centrais foi tardia, mas revelou-se eficaz. Os preços crescem agora a níveis mais “normais” para manter economias saudáveis. Ainda assim, não foi possível “enxugar” suficiente liquidez / massa monetária para evitar valores elevados. Este ano, só o BCE, aumentou a massa monetária (agregado M3) na ordem dos 3%, de modo que existe lastro suficiente para alimentar a referida “bolha de tudo”. Como vimos, ela afeta agora todos os tipos de ativos.
Ainda assim fica a questão: porque é que não há medo nos mercados a não ser em alguns momentos, aqui e ali? É que este fenómeno de inflação que não se via desde o início dos anos noventa (anterior geração) levou a uma perceção totalmente nova.
Qual é ela? A de que o “dinheiro” ou “cash” ou liquidez não vale a pena. Para o grande ou pequeno investidor, há a sensação de que “o dinheiro não vale nada”. Isto já ocorria nos tempos dos juros reais negativos na década anterior, mas está agora consolidado num período em que o “cash” rende juros, sim, mas os mesmos são negativos em termos reais. Aqui e acolá podem ter sido positivos por algum tempo, mas são fenómenos raros e limitados no tempo. Assim, fica consolidada a ideia de que o dinheiro não vale nada, pelo que ninguém quer ficar de fora. Tão depressa se compram imóveis sem olhar a preços, como se adquirem ações sem olhar ao “PER” como se investe em “commodities” quer não rendem sequer juros. A perceção é clara: estar investido em alguma coisa que poderá “render” acima da “desvalorização” natural do dinheiro. Além do mais, a maioria dos Bancos Centrais reduziu o preço do dinheiro, o que dá a sensação de maior liquidez futura, o que dá propósito à ideia dos investidores. Mais uma vez: quem tem recursos para investir tem ficado mais “rico”, os outros estão mais “pobres”.
Para 2026 não podemos ignorar este fenómeno. Mais uma vez, tudo o que está ou esteve esticado poderá subir mais ainda. O ano pode novamente ser positivo, os touros podem continuar a brilhar, mas, pessoalmente, não ficaria nada surpreso se fenómenos de volatilidade que vimos nos últimos dois anos possam ocorrer ainda mais amiúde no ano corrente e até mais assustadores. O exemplo do último mês de Março foi claro: quando os ativos de risco corrigiram, corrigiram mesmo todos, beneficiando apenas o “cash” e as OT. Não ficaria nada espantado se esse tipo de fenómeno se tornasse mais comum. As razões para isso não são um assunto. Há sempre qualquer razão para justificar qualquer movimento. Tentar conceptualizar razões para X ou Y não é uma boa ideia.
Ao mesmo tempo, temos que falar em fenómenos que podem, a prazo, retirar capacidade de crescimento económico. Desglobalização, regulação e tarifas, desconfianças entre os diversos blocos políticos, problemas graves de demografia (quem vai comprar produtos e serviços, se existirem menos pessoas e até mais robots?), a Ocidente e a Oriente e, claro, a questão das guerras, quentes ou frias, que vão persistindo ano após ano. Isto quase, no mínimo, uma desmoralização nas sociedades. A prazo, não é bom para o crescimento económico. Mesmo os chamados “pacotes” de “economia de guerra” são interessantes, mas, a prazo, só o serão se conduzirem a desenvolvimentos industriais e tecnológicos que se possam refletir na sociedade civil, tal como ocorreu após a II Guerra Mundial.
Finalmente, um fenómeno que reflete bem o espírito destes tempos. Ao longo desta última onda de inflação (preços ao consumidor), assistimos a algo inusitado, no mínimo eticamente condenável, a chamada “reduflação”, onde se mantêm os preços de um artigo, ao mesmo tempo que se diminui um pouco a quantidade do mesmo. Ilegal, se a embalagem não indicar a nova quantidade do artigo.
Mas isso não pode servir para que não se fale da pior e mais bizarra maneira de “reduflação”, que é definida por um termo já a correr solto nas Américas. Trata-se da chamada “m*rdificação de tudo” (the shitification of everything). Este conceito é simples: muito daquilo que consumimos, produtos e serviços, estão cada vez pior, a qualidade é cada vez mais reduzida. O mesmo artigo que custava X há cinco anos, pode até custar mais ou menos o mesmo agora, mas a qualidade é consideravelmente pior. O mesmo se aplica a serviços vários. Podem não ser muito mais caros, mas o serviço é fraco ou ruim. Quer isto dizer que é tudo mau? Nada disso. Isto significa que tudo o que é de boa qualidade existe, até superior ao antigo, mas muito mais caro, portanto inacessível à maioria. Para os menos abonados, resta adquirir o mais em conta, levando a que os números dos preços ao consumidor não subam tanto.
Afinal de contas quem elabora as estatísticas não considera se uns sapatos em 2020 são de inferior qualidade em 2025 – o que interessa é se o “mesmo” sapato subiu ou não de preço.
Tempos houve em que o efeito era o contrário. Basta ver a informática, telemóveis, etc… desde o fim dos anos noventa. Por preços iguais ou pouco mais caros tínhamos produtos com mais e maior capacidade, tecnologia mais evoluída. Isso era considerado deflacionário, porque se conseguia mais pelo mesmo. Agora, estamos a assistir a um efeito oposto, ao ponto de chegarmos a uma situação em que se vendem computadores sem RAM incluída, para que os elevados preços deste item não se reflitam no total do produto. Já não se trata só de mascarar a inflação, é também uma tentativa de evitar que só “alguns” possam adquirir os novos produtos. É a própria Economia que está em causa. Seja como for, a “shitification of everything” é real, espalhou-se e ainda se espalha por todo o tipo de produtos / serviços.
É neste ambiente que entramos nos últimos anos da década. O mais relevante destes tempos não é o medo ou o otimismo. São as transformações em curso que vão ao encontro de sociedades que poderão não estar preparadas para tantas mudanças ao mesmo tempo. Como isso se vai refletir no desenvolvimento económico e social é a grande incógnita. Há quem chame a hora da verdade!!
Daí vem a convicção de que os mercados permanecerão, no mínimo, instáveis, talvez mais do que no passado recente.
Agora uma série de gráficos com ativos importantes aos quais damos muita atenção. Os comentários estarão em cada um dos ditos gráficos.
Obrigado pela atenta leitura.
Quando olhámos para os doze meses que agora passaram, foi mais uma vez assim, com apagões e furacões, fenómenos naturais ou outros, mas sempre, sempre com a mesma incerteza no campo geo-político a que uns chamam Segunda Guerra Fria, outros chamam realinhamento estratégico global, outros ainda, enfim, consideram ser desglobalização. Seja o que for, ainda sustento que nada nos deve surpreender. Há seis anos, à beira desta década, ainda sem epidemias e encerramento das Economias, falava eu sobre como as décadas de “vinte” marcavam os futuros eventos do século. Foi assim nas anteriores, parece ser assim hoje em dia.
É tempo de transformação, de novos saltos tecnológicos, de dúvidas sobre o que parecia ser certo e lógico. Já compreendemos que a transição energética não pode ser ao ritmo que se previa (a indústria alemã que o diga), entendemos que os conflitos bélicos continuam ao rubro ou a levantar mais dúvidas do que certezas, percebe-se que há muita confusão na política e que somos, hoje, muito pouco consensuais.
Mas, há sempre um mas… se há tantas incertezas, porque é que os mercados continuam a operar em modo “la la land”?
Há dois anos, eu acreditava numa correção dos mercados, mas tal não ocorreu, pelo menos, ao ponto de mudar o rumo dos mesmos. No ano passado por esta altura eu já antevia uma desconexão entre vários mercados, algo que aconteceu mesmo, embora de uma forma parcial. Mesmo assim, é certo que alguns mercados ganharam bem mais do que outros. Poucos perderam, a maioria ganhou e nem tudo é IA ao contrário do que se possa pensar. Longe disso, aliás.
Quem está mesmo atento vê ganhos em muitos setores. Há dois anos, em Janeiro, falava-se pela primeira vez em muito tempo de “bolha”, a qual se resumia a algumas tecnológicas do Nasdaq, nomeadamente do setor dos “chips”, mas, entretanto, verificámos uma correção. No ano que chegou agora ao fim voltámos a falar de “bolhas” em vários setores, com destaque para a IA (nem as fortes quedas de Março impediram as valorizações que se seguiram ou mudaram o ambiente de festa), claro, que mais poderia ser. Neste caso particular, não é só Wall Street. Cada vez mais existe capital (várias formas de financiamento) fora das Bolsas a entrar em ritmo de risco alavancado em empresas de duvidosa viabilidade. Todavia, a questão é bem mais complexa como veremos daqui a pouco.
A grande realidade é que não há só capital a entrar em IA ou “chips” de elevado desempenho. É mais complexo do que o ambiente “Telecom” ou “dot.com” de há 25 anos atrás. Ao logo dos últimos tempos cada vez mais vozes se tornaram sonantes em relação ao que se convencionou chamar “a bolha de tudo” (everything bubble). De facto, não é só o imobiliário que está em modo especulativo em inúmeros mercados (com mais ou menos volume de construção), mas também os mercados mobiliários, sendo que há títulos de toda a sorte com enorme procura.
No mercado acionista, não é só o Nasdaq e os seus “chips”, mas também o DJIA e a sua “velha” economia ou até as empresas de menor volume, as chamadas “small caps” que têm visto uma grande procura. Isto para não falar de fortes investimentos fora do contexto de Bolsa. Há capital de risco (ou até mais convencional) à procura de financiar tudo o que mexe, com o destaque para a IA e seus sucedâneos. O mesmo se aplica ao velho continente, em que até aquilo que parecia “morto”, renasceu das cinzas, como o PSI, embora o melhor exemplo esteja logo aqui do outro lado da fronteira. Como vimos, há enormes valorizações que se estendem da América do Sul à Ásia. Apesar das perdas, vimos os criptoativos a subir loucamente durante muito tempo à medida que os “institucionais” (tubarões) decidiram ir a jogo. Como se isto não bastasse, que dizer das fortes valorizações de ouro, prata, cobre e tantos outros ativos? De uma forma simplista poder-se-ia dizer que o dinheiro dos criptoativos voou para ativos mais “antiquados”. Não devemos ir só por aí. Há investidores “clássicos” a reforçar nos metais preciosos e também em muitas outras “commodities”.
E os mercados de dívida? Já não há a procura que assistimos no passado, mas isso nada mais é do que a desconfiança em relação aos preços (produtor e consumidor) que temem em não crescer pouco como ocorria na década passada, mas também em relação às tensões geo-políticas, que podem levar a um aumento da despesa e, por conseguinte, dos défices. Seria muito redutor falar de dívida, mencionando apenas as dívidas públicas. Não nos podemos esquecer das restantes, sendo que o endividamento público global ascende a mais de 110 biliões de dólares, mas a dívida total (Estado, empresas, cidadãos) já passa dos 340 biliões de dólares, algo em torno de 320% do PIB global. Podemos falar do regresso em força ao “shadow banking system”, podemos falar do que quisermos. Mas a grande realidade é que a grande bolha reside no volume das diversas dívidas. O fenómeno da extrema liquidez, ampliado por crises desde os anos noventa, chegou a valores assombrosos na sequência de 2008 (sub-prime) e, sobretudo, na reação à crise “corona” a partir do ano 2000. Para os “especialistas” que afirmavam que a liquidez não se refletiria nos preços ao consumidor, como na década anterior, eis que a realidade dura e crua veio ao de cima. Com os apoios Estatais generalizados, finalmente a liquidez sem correspondência com a atividade económica, acabaria por elevar os preços a níveis a que as sociedades já não estavam acostumadas. A reação dos Bancos Centrais foi tardia, mas revelou-se eficaz. Os preços crescem agora a níveis mais “normais” para manter economias saudáveis. Ainda assim, não foi possível “enxugar” suficiente liquidez / massa monetária para evitar valores elevados. Este ano, só o BCE, aumentou a massa monetária (agregado M3) na ordem dos 3%, de modo que existe lastro suficiente para alimentar a referida “bolha de tudo”. Como vimos, ela afeta agora todos os tipos de ativos.
Ainda assim fica a questão: porque é que não há medo nos mercados a não ser em alguns momentos, aqui e ali? É que este fenómeno de inflação que não se via desde o início dos anos noventa (anterior geração) levou a uma perceção totalmente nova.
Qual é ela? A de que o “dinheiro” ou “cash” ou liquidez não vale a pena. Para o grande ou pequeno investidor, há a sensação de que “o dinheiro não vale nada”. Isto já ocorria nos tempos dos juros reais negativos na década anterior, mas está agora consolidado num período em que o “cash” rende juros, sim, mas os mesmos são negativos em termos reais. Aqui e acolá podem ter sido positivos por algum tempo, mas são fenómenos raros e limitados no tempo. Assim, fica consolidada a ideia de que o dinheiro não vale nada, pelo que ninguém quer ficar de fora. Tão depressa se compram imóveis sem olhar a preços, como se adquirem ações sem olhar ao “PER” como se investe em “commodities” quer não rendem sequer juros. A perceção é clara: estar investido em alguma coisa que poderá “render” acima da “desvalorização” natural do dinheiro. Além do mais, a maioria dos Bancos Centrais reduziu o preço do dinheiro, o que dá a sensação de maior liquidez futura, o que dá propósito à ideia dos investidores. Mais uma vez: quem tem recursos para investir tem ficado mais “rico”, os outros estão mais “pobres”.
Para 2026 não podemos ignorar este fenómeno. Mais uma vez, tudo o que está ou esteve esticado poderá subir mais ainda. O ano pode novamente ser positivo, os touros podem continuar a brilhar, mas, pessoalmente, não ficaria nada surpreso se fenómenos de volatilidade que vimos nos últimos dois anos possam ocorrer ainda mais amiúde no ano corrente e até mais assustadores. O exemplo do último mês de Março foi claro: quando os ativos de risco corrigiram, corrigiram mesmo todos, beneficiando apenas o “cash” e as OT. Não ficaria nada espantado se esse tipo de fenómeno se tornasse mais comum. As razões para isso não são um assunto. Há sempre qualquer razão para justificar qualquer movimento. Tentar conceptualizar razões para X ou Y não é uma boa ideia.
Ao mesmo tempo, temos que falar em fenómenos que podem, a prazo, retirar capacidade de crescimento económico. Desglobalização, regulação e tarifas, desconfianças entre os diversos blocos políticos, problemas graves de demografia (quem vai comprar produtos e serviços, se existirem menos pessoas e até mais robots?), a Ocidente e a Oriente e, claro, a questão das guerras, quentes ou frias, que vão persistindo ano após ano. Isto quase, no mínimo, uma desmoralização nas sociedades. A prazo, não é bom para o crescimento económico. Mesmo os chamados “pacotes” de “economia de guerra” são interessantes, mas, a prazo, só o serão se conduzirem a desenvolvimentos industriais e tecnológicos que se possam refletir na sociedade civil, tal como ocorreu após a II Guerra Mundial.
Finalmente, um fenómeno que reflete bem o espírito destes tempos. Ao longo desta última onda de inflação (preços ao consumidor), assistimos a algo inusitado, no mínimo eticamente condenável, a chamada “reduflação”, onde se mantêm os preços de um artigo, ao mesmo tempo que se diminui um pouco a quantidade do mesmo. Ilegal, se a embalagem não indicar a nova quantidade do artigo.
Mas isso não pode servir para que não se fale da pior e mais bizarra maneira de “reduflação”, que é definida por um termo já a correr solto nas Américas. Trata-se da chamada “m*rdificação de tudo” (the shitification of everything). Este conceito é simples: muito daquilo que consumimos, produtos e serviços, estão cada vez pior, a qualidade é cada vez mais reduzida. O mesmo artigo que custava X há cinco anos, pode até custar mais ou menos o mesmo agora, mas a qualidade é consideravelmente pior. O mesmo se aplica a serviços vários. Podem não ser muito mais caros, mas o serviço é fraco ou ruim. Quer isto dizer que é tudo mau? Nada disso. Isto significa que tudo o que é de boa qualidade existe, até superior ao antigo, mas muito mais caro, portanto inacessível à maioria. Para os menos abonados, resta adquirir o mais em conta, levando a que os números dos preços ao consumidor não subam tanto.
Afinal de contas quem elabora as estatísticas não considera se uns sapatos em 2020 são de inferior qualidade em 2025 – o que interessa é se o “mesmo” sapato subiu ou não de preço.
Tempos houve em que o efeito era o contrário. Basta ver a informática, telemóveis, etc… desde o fim dos anos noventa. Por preços iguais ou pouco mais caros tínhamos produtos com mais e maior capacidade, tecnologia mais evoluída. Isso era considerado deflacionário, porque se conseguia mais pelo mesmo. Agora, estamos a assistir a um efeito oposto, ao ponto de chegarmos a uma situação em que se vendem computadores sem RAM incluída, para que os elevados preços deste item não se reflitam no total do produto. Já não se trata só de mascarar a inflação, é também uma tentativa de evitar que só “alguns” possam adquirir os novos produtos. É a própria Economia que está em causa. Seja como for, a “shitification of everything” é real, espalhou-se e ainda se espalha por todo o tipo de produtos / serviços.
É neste ambiente que entramos nos últimos anos da década. O mais relevante destes tempos não é o medo ou o otimismo. São as transformações em curso que vão ao encontro de sociedades que poderão não estar preparadas para tantas mudanças ao mesmo tempo. Como isso se vai refletir no desenvolvimento económico e social é a grande incógnita. Há quem chame a hora da verdade!!
Daí vem a convicção de que os mercados permanecerão, no mínimo, instáveis, talvez mais do que no passado recente.
Agora uma série de gráficos com ativos importantes aos quais damos muita atenção. Os comentários estarão em cada um dos ditos gráficos.
Obrigado pela atenta leitura.
- Anexos
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- Os mercados de dívida tiveram comportamentos diferentes dos dois lados do Atlântico. O título dos EUA a 10 anos foi bastante volátil ao longo do ano, mas acabou por render aos investidores. Isso quer dizer que os juros cederam bom terreno à medida que a Reserva Federal finalmente cortou a taxa de desconto.
Há quem duvide sobre se estes ganhos terão continuidade.... - US 10Y.png (55.03 KiB) Visualizado 3341 vezes
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- Também com volatilidade, os mercados de dívida europeus tiveram viés de perda, sobretudo nos prazos mais longos. O título Alemão "paga" agora bem mais do que há um ano atrás.
- DE 10Y.png (53.99 KiB) Visualizado 3341 vezes
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- Mais um ano forte no mercado acionista apesar do susto de Março. Máximos históricos por todos os lados e índices bem perto dos mesmos.
- SPX.png (56.94 KiB) Visualizado 3341 vezes
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- Idem para o Nasdaq, mas com quedas e subidas impressionantes ao longo do ano.
- Nasdaq.png (61.46 KiB) Visualizado 3341 vezes
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- O DAX teve aquele descalabro, parecia o Nasdaq, mas depois fez novos máximos e tem andado sempre perto do topo.
- DAX.png (59.82 KiB) Visualizado 3341 vezes
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- O Nikkei 225 teve as mesmas quedas e a mesma incrível recuperação, ao ponto de já ter feito esquecer as décadas em que não batia máximos.
- Nikkei.png (62.11 KiB) Visualizado 3341 vezes
Editado pela última vez por djovarius em 2/1/2026 18:28, num total de 1 vez.
Cuidado com o que desejas pois todo o Universo pode se conjugar para a sua realização.
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