Caldeirão da Bolsa

À procura do "graal" dos indicadores técnicos: Volatilidade!

Espaço dedicado a todo o tipo de troca de impressões sobre os mercados financeiros e ao que possa condicionar o desempenho dos mesmos.

À procura do "graal" dos indicadores técnicos: Volatilidade!

por Cem pt » 29/1/2026 14:56

Já lá vão 14 anos que publiquei aqui no Caldeirão de Bolsa um dos tópicos que na altura deu muito que falar.

Uma vez que os mercados são bastante dinâmicos e que há sempre conceitos novos que temos de repensar ou incorporar, achei por bem replicar aqui uma parte significativa atualizada e revista sobre o tópico em causa, que incidia sobre a matéria da volatilidade nos mercados e como poderemos aproveitar esta informação relevante para construir os nossos próprios indicadores técnicos.

Hoje, tal como nesse longínquo passado em que introduzi este tópico, continuo firme na convicção de que os sistemas de trading mais fiáveis e performantes são os que se baseiam na aplicação mais correta possível do tema da volatilidade relativa. Já lá iremos à definição deste conceito.

Sendo o tópico um texto bastante extenso e algo maçudo, até os matemáticos e programadores ficarão cansados de ir com a exposição até ao fim, resolvi dividir o texto em várias secções ou sub-capítulos.

Espero que gostem e sobretudo possam aproveitar em vosso favor as ideias genéricas subjacentes ao aproveitamento correto das volatilidades nos mercados.

Enjoy it!


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Abordar a questão das volatilidades em Análise Técnica é entrar por campos no mínimo esquisitos.

Se há assunto pouco compreendido, algo complexo e com teorias para todos os gostos na área dos mercados é a forma de explicar o que é a volatilidade e aplicar os seus conceitos na prática do trading.

Perguntem a qualquer especialista financeiro o que é a volatilidade e de certeza que irão ter respostas todas diferentes, não é por acaso que nos pacotes de programas base de trading irão encontrar sobre a volatilidade dezenas e dezenas de fórmulas todas diferentes. Afinal qual delas devemos aplicar e o objetivo de cada uma? Quais são realmente as melhores? Aplicam-se como e servem para quê? Conseguimos de toda esta (des)informação desgarrada encontrar o sumo da laranja que faz bem à saúde, leia-se à carteira?

No entanto a volatilidade foi a solução encontrada para servir como cartucho da arma na fórmula com que três cientistas, Fischer Black, Myron Scholes e Robert Merton, basearam a investigação sobre qual o valor exato teórico das opções financeiras, fossem elas Calls ou Puts.

Assim ganharam o Prémio Nobel da Economia em 1997, estabelecendo a fórmula universal chamada de Black-Scholes utilizada no mundo inteiro nas praças de derivados e que elevou os seus nomes para um nível de estrelato que poucos outros Nobel prizes tiveram.

Nota: mais tarde dois destes laureados estiveram envolvidos no escândalo da falência do fundo milionário LTCM que teve de ser salvo “in extremis” por iniciativa do então homem mais poderoso do mundo nos mercados financeiros, o Governador da Federal Reserve Alan Greenspan, que “convenceu” (obrigou?) um dos maiores Bancos de investimento norte-americanos a intervir na compra das sobras do fundo, mas isso são contas doutro rosário que não é para aqui chamado uma vez que o grande pecado do fundo era um problema de super-alavancagem, ninguém controlava os enormes “drawdowns” originados por fortes problemas de volatilidade pontual que disparavam em pouco tempo no mercado para valores elevadíssimos.

A volatilidade é contudo o conceito mais importante na procura das melhores soluções a pôr em prática quando pretendemos calcular as melhores alturas para comprar e vender no mercado, poucos poderão acreditar nesta afirmação mas na realidade é nas relações das volatilidades temporais que se encontram com toda a probabilidade as verdadeiras respostas emocionais que fazem com que o balanço entre procura e oferta penda para um dos lados.

Esses desequilíbrios originam nos mercados emoções predominantes de euforia e pânico em escalas mais ou menos acentuadas que, a serem detectadas e exploradas na altura certa, dão origem à colocação de sinais do tipo tendencial que originam expectavelmente os lucros a retirar dos mercados, traduzidos pela maior vontade de estarmos dentro ou fora de determinada posição no mercado e originando os movimentos direcionais tendenciais e as oscilações temporárias em escalas temporais diferenciadas que podem ser aproveitadas especulativamente a favor de quem possui essa importantíssima informação dos saldos emocionais prevalecentes.

Se não existem maneiras consensuais de definir a volatilidade, podemos contudo sintetizar de uma forma mais ou menos genérica que a volatilidade é a velocidade de variação dos preços existentes no mercado ou a extensão da amplitude do movimento de um mercado por unidade de tempo.

Se quiserem, em termos práticos e muito básicos, podem duma forma simplista calcular a volatilidade de uma sessão através do maior valor absoluto de 3 cálculos simples possíveis:

- Diferença entre máximo e mínimo do dia atual.
- Diferença entre máximo da sessão atual e fecho da sessão anterior.
- Diferença entre fecho da sessão anterior e mínimo da sessão atual.

A forma de definir a volatilidade média de uma sessão pela forma acima descrita deveu-se a Welles Wilder, tendo chamado à amplitude duma sessão calculada dessa forma o “true range” ou o leque verdadeiro de abrangência do mercado.

Obviamente que se estivermos a falar duma ação X cuja cotação variou no dia de um mínimo de 23,50 € e um máximo aos 23,90 €, obteve um “true range” de 0,40 €. Se na sessão seguinte foi encontrado um “true range” de 0,60 €, então podemos acrescentar que durante as duas sessões foi encontrado uma média de “true range” de 0,50 €, em inglês dizemos que foi calculado um “Average True Range” com 2 sessões ou simplesmente um ATR(2) = 0,50 €.

O ATR de uma qualquer ação será obviamente proporcional ao valor das respectivas cotações, se estivermos a falar duma ação Y que variou na mesma sessão entre 1,20 € e 1,25 €, o seu “true range” foi de apenas 0,05 €, um valor inferior ao da ação X, no entanto se dividirmos o “true range” de cada ação pela sua cotação de fecho então poderemos comparar a sua volatilidade relativa.

No caso das ações X e Y, supondo que a primeira encerrou aos 23,55 € e a segunda aos 1,23 €, teremos:

- Volatilidade relativa da ação X: 0,40 € / 23,55 € = 1,70%
- Volatilidade relativa da ação Y: 0,05 € / 1,23 € = 4,07%

Ou seja, a ação Y, apesar de possuir um “true range” claramente mais baixo que a ação X, possui uma volatilidade relativa quase duas e vezes e meia superior.

Logo podemos concluir que a volatilidade relativa é mais importante que o valor simples da amplitude da volatilidade absoluta medida pelo “true range”, o risco e o potencial de valorização e desvalorização da ação Y é bem superior aos mesmos parâmetros na ação X.


(Continua)
O autor não assume responsabilidades por acções tomadas por quem quer que seja nem providencia conselhos de investimento. O autor não faz promessas nem oferece garantias nem sugestões, limita-se a transmitir a sua opinião pessoal. Cada um assume os seus riscos, incluindo os que possam resultar em perdas.


Citações que me assentam bem:


Sucesso é a habilidade de ir de falhanço em falhanço sem perda de entusiasmo – Winston Churchill

Há milhões de maneiras de ganhar dinheiro nos mercados. O problema é que é muito difícil encontrá-las - Jack Schwager

No soy monedita de oro pa caerle bien a todos - Hugo Chávez


O day trader trabalha para se ajustar ao mercado. O mercado trabalha para o trend trader! - Jay Brown / Commodity Research Bureau
 
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